Vports quer negociar R$ 150 milhões de novos investimentos em troca de outorgas em Brasília
Companhia identificou quatro intervenções de R$ 150 milhões para ampliar a infraestrutura do complexo portuário capixaba.
Por Ricardo Frizera ·
<p>A Vports quer negociar a conversão de aproximadamente R$ 50 milhões pagos anualmente em outorgas em investimentos na infraestrutura portuária. A alternativa está em discussão e poderia direcionar recursos previstos no contrato de concessão para obras nos ativos federais administrados pela companhia no Espírito Santo.</p><p>As parcelas fixas e variáveis da outorga somam cerca de R$ 50 milhões por ano, segundo Pedro Benevides, diretor-presidente da Vports. A companhia já identificou quatro intervenções que demandariam aproximadamente R$ 150 milhões.</p><p>Uma das propostas é criar um pátio de triagem nas proximidades do porto para organizar o fluxo de caminhões e reduzir gargalos nos acessos. A expansão da movimentação também levou a companhia a avaliar intervenções relacionadas à infraestrutura marítima e ao canal de navegação.</p><p>No modal ferroviário, a Vports inaugurou neste ano uma estrutura para movimentação de ferro-gusa no Porto de Capuaba, em Vila Velha. A operação aproveita a conexão ferroviária entre o Espírito Santo e Minas Gerais e integra a estratégia de ampliar a participação dos trilhos no transporte de cargas.</p><p>A discussão sobre as outorgas acontece durante um ciclo de expansão do complexo. Desde o início da concessão, a Vports consolidou uma carteira de R$ 1,6 bilhão em investimentos contratados. Entre os projetos estão novos terminais, expansão ferroviária e automação da operação de contêineres.</p><p>A companhia pretende elevar a movimentação anual dos atuais 8 milhões para 13 milhões de toneladas até 2030, crescimento projetado de 62,5%.</p><p>A eventual conversão das outorgas não significaria necessariamente novos recursos para a concessão, mas uma mudança na destinação de pagamentos já previstos, permitindo que parte deles fosse aplicada diretamente na infraestrutura.</p><p>O modelo ainda está em discussão. Segundo Benevides, a companhia considera importante a participação do governo do Espírito Santo nas negociações para que a proposta avance junto às autoridades federais.</p><p>Para a economia capixaba, a discussão ganha relevância porque os investimentos atacam gargalos associados ao próprio crescimento das operações portuárias: capacidade dos terminais, acessos rodoviários, conexão ferroviária e infraestrutura marítima.<br>URL</p>