VLI investe R$ 60 mi em oficina de locomotivas em Cariacica

Oficina integra plano de R$ 600 milhões para rodar trens próprios na ferrovia da Vale e reduzir paradas.

Por Samuel Bonna ·

VLI investe R$ 60 mi em oficina de locomotivas em Cariacica

<p>Durante décadas, quem quisesse levar carga pela Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) dependia da Vale, dona da concessão. Essa lógica começou a mudar, e uma oficina em Cariacica é a prova mais recente disso.</p><p>A VLI concluiu em outubro a ampliação da unidade, com investimento de R$ 60 milhões. A partir de agora, a empresa faz no Espírito Santo a manutenção das locomotivas que coloca nos trilhos da EFVM: reparos preventivos e corretivos leves, além da fabricação de peças e componentes para vagões.</p><p>A oficina é a parte visível de uma aposta maior. Ela integra um plano de R$ 600 milhões que coloca a VLI como ATF-C (Agente Transportador Ferroviário de Cargas), figura criada para abrir a competição no transporte sobre trilhos.</p><p>O conceito é simples: uma empresa explora a infraestrutura, e outra presta o serviço de transporte sobre ela. Com o acordo firmado com a Vale, a VLI passou a operar carga geral na EFVM com trens e equipes próprios, enquanto os trilhos seguem sob concessão da mineradora. Foi o primeiro acordo desse tipo no país.</p><p>Antes, a VLI circulava na EFVM por direito de passagem, regime em que uma operadora usa a malha de outra sob as regras da dona da via. É por esse caminho que as cargas do corredor leste da FCA, vindas do interior mineiro, chegam ao Porto de Tubarão, em Vitória.</p><p><strong>Por que isso importa</strong></p><p>O primeiro impacto é operacional. Locomotiva parada à espera de reparo é capacidade que deixa de rodar. Com a oficina perto da ponta portuária, a VLI reduz esse tempo e consegue girar a frota mais rápido.</p><p>Daniel Schaffazick, diretor de Operações do Corredor Leste da VLI, disse que a manutenção direta garante “maior disponibilidade da frota e redução nos tempos de parada”. Segundo ele, isso se traduz em competitividade para os clientes.</p><p>O segundo impacto está no bolso de quem embarca. A EFVM é uma das principais ligações entre Minas Gerais e o litoral capixaba e transporta sobretudo minério de ferro.</p><p>O terceiro impacto é no emprego. O plano de R$ 600 milhões prevê compra de locomotivas e vagões e mais de 700 contratações em Minas Gerais e no Espírito Santo. Parte da frota veio da própria Vale: foram 43 locomotivas e 1.040 vagões, por R$ 380 milhões.</p><p>Para a Vale, a mudança não mexe nas obrigações de concessionária. A mineradora segue responsável por investimentos, informações e manutenção da infraestrutura da EFVM.</p><p>Os próximos passos já estão no calendário. A VLI anunciou cerca de R$ 1,2 bilhão em investimentos na malha ferroviária para 2026. Em paralelo, o presidente da Vale espera fechar até o fim de 2026 a repactuação do contrato da EFVM com o governo federal, que deve redefinir as regras de uso da ferrovia.</p>