As vantagens do Espírito Santo para navegar Lula 4
Economia exportadora, contas públicas sólidas e R$ 137,6 bilhões em investimentos dão ao Estado uma posição diferente diante do novo ciclo federal.
Por Redação ·
<p>O Espírito Santo entra no quarto mandato de Lula com três vantagens que poucos estados têm. Exporta em dólar, com café, aço, celulose e rochas. Tem contas públicas entre as mais sólidas do país. E conta com interlocutores dos dois lados da política em Brasília.<br><br>Nesta segunda-feira (26), o mercado abriu no vermelho: dólar chegou a R$ 5,60 no pico do pregão, R$ 0,61 acima do fechamento de sexta e a bolsa paralisou negociações devido às fortes quedas das ações.<br><br>Lula foi reeleito no domingo (25) com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro (PL). No Espírito Santo, o resultado foi outro: Flávio venceu em 60 dos 78 municípios, e Lula ficou com 43,63% dos votos dos capixabas.<br><br><strong>Economia exportadora</strong><br><br>O Espírito Santo tem uma das economias mais abertas do Brasil. Exportações e importações somadas equivalem a 53,9% do PIB capixaba, o dobro da média nacional (26,7%), segundo o Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN).<br><br>Na prática, boa parte do que o estado produz é vendida em dólar. Quando a moeda sobe, o exportador recebe mais reais pela mesma mercadoria. Com o câmbio de segunda, cada US$ 1 bilhão exportado vale R$ 410 milhões a mais do que valia na sexta.<br><br>Se o dólar permanecer nesse patamar, a receita dos exportadores capixabas melhora sem que eles precisem vender uma tonelada a mais. Com o dólar R$ 0,40 mais caro que no pré-eleição, cada saca de café capixaba exportada gera uma receita R$ 100 maior.<br><br>A pauta de exportações do estado é dominada por commodities, produtos com preço definido em dólar no mercado internacional. O agro gerou US$ 2,4 bilhões em exportações até setembro, 30,4% de tudo o que o estado vendeu ao exterior. Só a celulose respondeu por US$ 590,4 milhões.<br><br>A siderurgia ficou com outros 16,4%. Somados, agro e aço respondem por quase metade das exportações capixabas.<br><br>Por outro lado, o dólar alto também encarece fertilizantes, derivados de petróleo e outros insumos cotados na moeda americana. O Brasil compra lá fora mais de 85% do adubo que usa. Esse custo compensa parte do ganho cambial. Em resumi, dólar alto é receita a mais, mas não é lucro garantido.<br><br><strong>Contas públicas organizadas</strong><br><br>Se o mercado vê risco nas contas do governo federal, o estado chega à nova fase em outra situação. O Tesouro Nacional renovou a nota A+ do Espírito Santo na Capag, a avaliação que mede a capacidade de pagamento dos estados. É a nota máxima.<br><br>O estado tem o menor nível de endividamento do Brasil e lidera o país em investimento e poupança. No ranking de competitividade do Centro de Liderança Pública (CLP), ficou em 1º lugar entre as 27 unidades da federação no pilar Solidez Fiscal.<br><br>Lorenzo Pazolini, que assume o governo em janeiro, herda essas contas organizadas. É um dos dados que investidores analisam na hora de decidir onde vão empreender. Por sinal, a carteira de novos empreendimentos previstos para o estado tem crescido.<br><br><strong>Desemprego em baixa e investimentos em alto</strong><br><br>O volume de investimentos públicos e privados previstos no estado é bem relevante. A carteira mapeada pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) soma R$ 137,6 bilhões, sendo R$ 96,3 bilhões privados. Em levantamento próprio, a Findes (federação das indústrias do estado) prevê R$ 104,3 bilhões até 2031, dos quais R$ 43,7 bilhões em petróleo e gás.<br><br>Essa conta ainda não considera a fábrica da GWM que vai trazer aporte de cerca de 1 bilhão de dólares.<br><br>O mercado de trabalho também chega aquecido. O desemprego caiu para 2,3% no segundo trimestre, o menor patamar da série do IBGE, iniciada em 2012. No primeiro semestre, o estado criou 24.177 vagas com carteira assinada, segundo o Novo Caged.<br><br>São decisões de longo prazo, tomadas antes da eleição e sob o mesmo presidente que acaba de ser reeleito. A mais recente, um data center de R$ 7,4 bilhões em Baixo Guandu, foi anunciada na última sexta (23).</p>