Valor Investimentos estreia no imobiliário com projeto de R$ 80 milhões no Itaim Bibi

Escritório com sede em Vitória já aportou R$ 40 milhões e terá 50% de um residencial de 14 unidades no Itaim Bibi.

Por Luiz Stanger ·

Valor Investimentos estreia no imobiliário com projeto de R$ 80 milhões no Itaim Bibi

<p>A Valor Investimentos, escritório ligado à XP com sede na Praia do Canto, na Rua Aleixo Netto, anuncia nesta quinta-feira (10) a criação de um fundo para participar do desenvolvimento de um residencial de altíssimo padrão no Itaim Bibi, em São Paulo. É a estreia da casa na incorporação residencial, e o primeiro projeto da empresa na capital paulista.</p><p>Vale situar quem é a Valor. Fundada há mais de duas décadas, a empresa nasceu e cresceu a partir do Espírito Santo: além da sede em Vitória, tem unidades em Cachoeiro de Itapemirim e Linhares, e a partir daqui se espalhou para São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Goiânia, Brumadinho e Limeira. Hoje soma 57 mil clientes, R$ 16,5 bilhões em ativos sob custódia e mais de 300 colaboradores. Em 2026, foi reconhecida como o quarto melhor escritório do Grupo XP durante a Expert, em São Paulo. É, portanto, capital capixaba entrando em tijolo paulistano, e num quarteirão que dispensa apresentação.</p><h2><strong>Miolo do bairro</strong></h2><p>O edifício será erguido na Rua Comandatuba, próximo ao cruzamento com a Rua Capitão Guedes Portilho, a poucos passos das avenidas Juscelino Kubitschek e Brigadeiro Faria Lima. Quem conhece a região sabe o que isso significa: é o miolo mais adensado e valorizado do Itaim Bibi, a poucas quadras do B32, o "prédio da Baleia", que tem a Meta entre os inquilinos, e do Pátio Malzoni, casa de Google e BTG Pactual, dois dos edifícios corporativos com o aluguel mais caro do país. O Itaim Bibi segue como o bairro de maior valor de metro quadrado da cidade de São Paulo, e é justamente nesse endereço que a Valor decidiu colocar sua primeira pedra.</p><h2><strong>14 unidades, R$ 80 milhões e capital estruturado</strong></h2><p>O projeto é avaliado em R$ 80 milhões. O fundo da Valor e de seus investidores já aportou R$ 40 milhões e ficará com 50% do negócio; a outra metade fica com a Unacorp e demais parceiros do desenvolvimento. A estrutura foi desenhada para viabilizar a construção e, ao mesmo tempo, permitir que os cotistas participem de um ativo imobiliário de perfil exclusivo. É a lógica que vem se consolidando no alto padrão: a incorporação deixa de depender só do fluxo de vendas na planta e passa a ter capital estruturado por trás.</p><p>O empreendimento aposta na baixa densidade: apenas 14 unidades, sendo 12 apartamentos e duas coberturas duplex. O tíquete médio fica em torno de R$ 9 milhões por unidade, e as coberturas devem sair por cerca de R$ 18 milhões cada. O projeto arquitetônico é do escritório Perkins + Will e o paisagismo é de Benedito Abbud, dois nomes de peso. As obras começaram em agosto, com prazo de cerca de dois anos e entrega estimada para o fim de 2028.</p><p>Pedro Lang, sócio da Valor, define o projeto como um empreendimento único, em localização privilegiada e com padrão construtivo elevado, que nasce com a proposta de contribuir para uma nova arquitetura urbana daquela parte do Itaim. Paulo Duarte, responsável pela área de estruturações imobiliárias da empresa, reforça que a escolha do bairro está alinhada ao objetivo de desenvolver ativos em localizações privilegiadas dos principais centros urbanos do país.</p><h2><strong>Estrutura financeira, seleção de ativos e participação direta</strong></h2><p>O detalhe que mais chama atenção não é o prédio, e sim o plano. A Valor já adquiriu outros três terrenos no mesmo bairro e pretende dar continuidade à estratégia com novos projetos. Os planos incluem intervenções no entorno, como a reurbanização da rua e o plantio de árvores, o que sinaliza intenção de presença consistente na região, e não um negócio isolado. E o apetite não para no Itaim: a Valor trabalha também na estruturação de um investimento internacional no setor imobiliário, nos Estados Unidos, o chamado real estate, ampliando para o cliente capixaba o acesso a ativos reais fora do país.</p><p>Mais do que o prédio, o movimento mostra o apetite do investidor por ativos reais. O dinheiro do mercado financeiro está buscando o imóvel não só pela tese de valorização, que o Itaim Bibi comprova há anos, mas pela segurança de ter um ativo tangível em endereço onde a escassez de terreno faz o preço. O Itaim Bibi cumpre esse papel em São Paulo pelo mesmo motivo que a Praia do Canto cumpre em Vitória.</p><p>Sigo acompanhando os bons negócios, empreendimentos e empresas. Até a próxima!</p><p><em>Informação constrói. Um olhar estratégico sobre imóveis, patrimônio e os bastidores do mundo imobiliário.</em></p>