Startup com sócio capixaba vira 'unicórnio' com valor de US$ 1,4 bilhão
Fundada por Leonardo Vieira, Igor Marinelli e Gabriel Lameirinhas, empresa captou US$ 130 milhões para ampliar tecnologia e expansão internacional.
Por Redação ·
<p>A Tractian, startup que tem o capixaba Leonardo Vieira entre os três fundadores, acaba de entrar para o clube dos unicórnios, como são chamadas as empresas novatas avaliadas em mais de US$ 1 bilhão. A empresa usa sensores e inteligência artificial para monitorar máquinas industriais. Ela captou US$ 130 milhões com investidores em uma rodada que a avalia em US$ 1,4 bilhão.<br><br>O aporte foi anunciado na quinta-feira (22) e liderado pelo fundo americano Sapphire Ventures. Também participaram nomes como General Catalyst, Bosch Ventures, Monashees e Y Combinator.<br><br>Em menos de dois anos, o valor da empresa quase dobrou. Na captação anterior, no fim de 2024, ela era avaliada em US$ 720 milhões. Com o novo patamar, a Tractian supera a Enter, startup de IA para o setor jurídico avaliada em US$ 1,2 bilhão neste ano. Segundo a Bloomberg Línea, isso faz dela a startup de inteligência artificial mais valiosa da América Latina.<br><br>“Enquanto todo mundo busca um hype de mercado, ou um mercado de tamanho muito grande, a gente nunca pensou nisso. A gente pensou em resolver um problema que conhecia por experiências familiares e com o qual era obcecado. E ainda é”, disse Leonardo Vieira, cofundador da Tractian.<br><br>Leonardo, Igor Marinelli e Gabriel Lameirinhas fundaram a Tractian em 2019, com um único tipo de sensor, que media vibração. “A gente passava noites e noites soldando juntos, escrevendo linha de código e falando com o cliente ao mesmo tempo”, contou Vieira.<br><br>O mais difícil era convencer investidores. “Era um mercado que não era sexy, em que o investidor não conhecia nem a ordem de grandeza das coisas. Eu lembro de um perguntar quantas máquinas tem na planta da Danone. Eram umas dez mil. Tem planta que é um bairro, uma cidade.”<br><br>Em 2021, a Tractian tinha 15 funcionários. No Espírito Santo, já atendia a ArcelorMittal Tubarão, a Buaiz Alimentos e a Marca Ambiental. Hoje são mais de 700 funcionários e mais de 2 mil instalações monitoradas, de clientes como Coca-Cola, Whirlpool, Embraer e Suzano.<br><br>Segundo a empresa, o ritmo de faturamento passou de US$ 40 milhões por ano em 2024 para mais de US$ 100 milhões em setembro. Metade já vem de fora do Brasil, principalmente dos Estados Unidos e do México. A sede fica em Atlanta, nos EUA, e há escritórios em São Paulo, no México e na Polônia.<br><br>“Hoje a gente brinca que está correndo contra a nossa própria versão. Até um competidor chegar na nossa sombra, a gente já está correndo atrás da nossa sombra futura”, disse Vieira.<br><br>Para ele, o maior trunfo da empresa é o que ela aprendeu sobre as máquinas dos clientes. “Hoje não tem ninguém com o conhecimento de máquinas e operações industriais que a gente tem. Nem o próprio fabricante. A gente sabe por que a máquina vai quebrar, quando ela quebra, qual era o material processado, se uma linha de biscoito ou de macarrão tende a quebrar mais ou menos.”<br><br>Segundo Vieira, os clientes já economizaram mais de US$ 1 bilhão só com paradas de máquina evitadas.</p><p>O dinheiro novo vai para pesquisa e desenvolvimento nos próximos cinco anos, incluindo o treinamento da inteligência artificial da empresa.<br><br>A próxima aposta são as fábricas autônomas, que ganham força nos Estados Unidos com a pressão do governo para manter as máquinas funcionando sem parar. “Eu ouso dizer: não existe ninguém melhor posicionado que a Tractian para operar uma planta nas condições e especificações que aquela planta tem que operar”, afirmou Vieira.<br></p>