Terras raras colocam litoral do Espírito Santo no radar da nova corrida mineral global

Areias monazíticas de cidades como Guarapari e Anchieta voltam ao centro da geopolítica mineral em meio à disputa internacional por insumos estratégicos usados em carros elétricos, chips, inteligência artificial e defesa

Por Redação ·

Terras raras colocam litoral do Espírito Santo no radar da nova corrida mineral global

O Espírito Santo pode não estar entre os principais produtores brasileiros de terras raras hoje. Mas o litoral capixaba possui um ativo geológico que voltou a ganhar relevância estratégica em meio à disputa global por minerais críticos. As areias monazíticas presentes em cidades como Guarapari e Anchieta concentram minerais associados às terras raras, como cério, lantânio, neodímio e samário, além de elementos radioativos como tório.

Esses materiais são considerados essenciais para a indústria de alta tecnologia e estão presentes na fabricação de carros elétricos, turbinas eólicas, baterias, chips, radares, fibra óptica, drones e sistemas de inteligência artificial. Durante décadas, essas areias ficaram conhecidas principalmente pelo turismo e pelas propriedades radioativas das praias de areia preta. Agora, passaram a integrar uma cadeia mineral cada vez mais estratégica para Estados Unidos, Europa e China.

Em alguns trechos do litoral capixaba, a concentração de monazita nas areias chega a níveis considerados elevados dentro do contexto geológico brasileiro. Hoje, os projetos mais avançados de terras raras no Brasil estão concentrados em Minas Gerais, Goiás, Bahia e Amazonas.

O Espírito Santo ainda não possui produção relevante em escala industrial. Mesmo assim, o Estado reúne diferenciais considerados raros para essa nova economia mineral: portos de exportação, logística integrada, indústria, energia, estabilidade institucional e forte conexão com o comércio exterior.

O ponto central talvez não esteja apenas na extração mineral. Está na capacidade futura de separar, processar e industrializar minerais estratégicos de alto valor agregado. Se o petróleo ajudou a definir a geopolítica do século XX, as terras raras podem ajudar a moldar a indústria do século XXI. E o litoral capixaba começa a aparecer nesse mapa.