Sócios da Apex pedem prisão de Fernando Cinelli; movimentações chegam a R$ 33 milhões

Empresa afirma ter identificado R$ 33,2 milhões em movimentações para o ex-presidente desde 2022; R$18 milhões foram enviados apenas esse ano.

Por Redação ·

Sócios da Apex pedem prisão de Fernando Cinelli; movimentações chegam a R$ 33 milhões

<p>A Apex Partners pediu ao Ministério Público do Espírito Santo que avalie requerer à Justiça a prisão preventiva de seu ex-presidente Fernando Cinelli. A solicitação faz parte de uma notícia de fato apresentada pela companhia à Promotoria Criminal de Investigação, na qual a empresa também aponta movimentações de R$ 33,2 milhões de sociedades do grupo para o ex-executivo entre 2022 e agosto de 2026.<br><br>No documento, a Apex pede a investigação de Cinelli, em tese, por apropriação indébita com agravante relacionado ao exercício do cargo e utilização indevida de bens ou haveres das sociedades.<br><br>A empresa sustenta que foram identificadas 153 transferências para Cinelli provenientes de seis empresas do grupo. A partir da divisão dessas movimentações em diferentes períodos, os advogados da Apex defendem a existência, em tese, de 18 blocos de crimes continuados de apropriação indébita.<br><br>Pelo cálculo jurídico apresentado na notícia de fato, a soma das penas resultaria em uma pena mínima de 26 anos de reclusão.<br><br>Esse cálculo, no entanto, representa a tese apresentada pela empresa ao Ministério Público e não uma pena estabelecida pela Justiça. A investigação ainda está em estágio inicial e não há, no documento, condenação criminal contra Cinelli.<br><br>Ao pedir a prisão preventiva, a Apex argumenta que as movimentações teriam ocorrido de forma reiterada ao longo de vários anos e aumentado significativamente nos meses anteriores à descoberta das inconsistências financeiras.<br><br>O crescimento foi mais acentuado em 2026. Apenas entre janeiro e o início de agosto deste ano, as movimentações apontadas pela Apex somaram cerca de R$ 18 milhões, mais da metade dos R$ 33,2 milhões identificados em todo o período analisado, que começa em 2022.<br><br>Cinelli já teve determinada a indisponibilidade de bens e quebra de sigilo bancário entre julho de 2023 e julho de 2026.<br><br><strong>A justificativa da Apex para o pedido de prisão</strong><br><br>Para justificar uma medida adicional de natureza criminal, a Apex argumenta que o bloqueio patrimonial não eliminaria eventual risco de interferência sobre testemunhas, documentos, arquivos eletrônicos e outras provas que ainda estão sendo analisadas.<br><br>A notícia de fato também menciona que Cinelli possui dupla cidadania brasileira e italiana. O próprio documento reconhece que a cidadania estrangeira, isoladamente, não caracteriza risco de fuga, mas sustenta que ela deve ser considerada em conjunto com a capacidade financeira do ex-executivo, os valores envolvidos e seus relacionamentos com instituições financeiras.<br><br>Caso o MP entenda que a prisão preventiva não é cabível, a Apex pede medidas alternativas. Entre elas estão a proibição de deixar o Brasil, entrega dos passaportes brasileiro e italiano, proibição de contato com funcionários, ex-funcionários, diretores e auditores, impedimento de acessar as instalações e sistemas das empresas e, caso considerado necessário, monitoração eletrônica.<br><br>Além da prisão preventiva, a Apex pede ao Ministério Público a abertura de um Procedimento Investigatório Criminal. Caso o MP não adote esse caminho, solicita subsidiariamente a instauração de inquérito policial.<br><br>A empresa também quer que sejam requeridas busca e apreensão de celulares, computadores, documentos e registros financeiros relacionados às operações, além de acesso pericial ao conteúdo dos dispositivos eventualmente apreendidos.<br><br>Na frente patrimonial, a Apex pede uma nova ordem de sequestro e bloqueio de bens no âmbito criminal com possibilidade de ampliação conforme o avanço da auditoria.<br><br>O pedido prevê buscas por contas bancárias, aplicações financeiras, imóveis, veículos, participações societárias, investimentos e eventual existência de ativos virtuais.<br><br>A notícia de fato foi protocolada em 13 de agosto e afirma que as apurações internas ainda estão em andamento, podendo revelar novas operações, valores, beneficiários e pessoas eventualmente envolvidas.</p>