Setor brasileiro de rochas naturais defende exclusão de tarifas em audiência em Washington

Brasil exportou US$ 795 milhões para os EUA em 2025 e setor pede exclusão de novas tarifas.

Por Redação ·

Setor brasileiro de rochas naturais defende exclusão de tarifas em audiência em Washington

<p>O setor brasileiro de rochas naturais levou sua principal pauta comercial aos Estados Unidos nesta terça-feira (7). Durante audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), em Washington, a Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas) pediu que os produtos brasileiros sejam excluídos das medidas tarifárias analisadas na investigação conduzida pela Seção 301 da legislação comercial americana.</p><p>Representando a entidade, o vice-presidente da Centrorochas, Fábio Cruz, afirmou que a aplicação das tarifas poderá provocar impactos negativos para empresas, empregos, investimentos e cadeias de suprimentos nos próprios Estados Unidos. Segundo ele, o aumento dos custos também poderá ser repassado à construção civil e ao consumidor americano.</p><p>A discussão tem importância estratégica para o Espírito Santo, principal polo brasileiro de rochas naturais e líder nas exportações do setor. Em 2025, o Brasil embarcou US$ 795 milhões em rochas naturais para os Estados Unidos, volume equivalente a aproximadamente 587 mil toneladas. Cerca de 99,9% dessas vendas correspondem a produtos semimanufaturados, como chapas utilizadas na fabricação de bancadas, revestimentos e aplicações residenciais e comerciais.</p><p>Durante a audiência, a Centrorochas argumentou que esses materiais não concorrem diretamente com a produção americana. Pelo contrário, abastecem uma cadeia produtiva consolidada há décadas, envolvendo importadores, distribuidores, fabricantes, marmorarias e construtoras que dependem do fornecimento brasileiro para manter suas operações.</p><p>A posição da entidade brasileira foi reforçada por representantes da própria indústria americana. O Natural Stone Institute (NSI), principal associação do setor nos Estados Unidos, também defendeu a exclusão das rochas brasileiras das medidas tarifárias. Importadores, como a Pacific Shore Stones, destacaram que muitos materiais produzidos no Brasil não possuem substitutos equivalentes em volume, variedade ou características técnicas.</p><p>Segundo Fábio Cruz, a participação na audiência faz parte de uma estratégia permanente de fortalecimento das relações comerciais com o mercado americano. Para a Centrorochas, preservar o fluxo das exportações beneficia tanto a indústria brasileira quanto empresas e consumidores dos Estados Unidos, evitando aumento de custos e garantindo estabilidade para uma cadeia produtiva integrada entre os dois países.</p>