Serra vai produzir tubulação para petróleo com tecnologia exclusiva no mundo

Nova linha da Vallourec começa a operar em 2028 e já tem 90 quilômetros de dutos contratados.

Por Redação ·

Serra vai produzir tubulação para petróleo com tecnologia exclusiva no mundo

<p>Começaram na Serra as obras da nova linha industrial da Vallourec que vai aplicar isolamento térmico em dutos usados na produção de petróleo em alto-mar. A fabricante de tubos prevê iniciar a operação comercial no primeiro semestre de 2028.</p><p>O movimento muda o papel da unidade capixaba dentro da companhia. Os tubos de aço da Vallourec são fabricados em Minas Gerais e seguem para a Serra, onde recebem as camadas de proteção antes de embarcar para os projetos.</p><p>Na prática, a empresa deixa de vender só o tubo e passa a entregar o duto pronto para instalação, com o revestimento incluído. É a parte do pedido que a própria Vallourec descreve como de alto valor, e a que mais aproxima o fornecedor da petroleira.<br>A Serra será a única planta fora dos Estados Unidos a aplicar o sistema, de acordo com a empresa. Parte dos funcionários capixabas será enviada ao país para treinamento.</p><p>O produto tem papel muito importante na produção de petróleo. O isolamento da tubulação, desenvolvida pela ExxonMobil e licenciado para a Vallourec, impede que o petróleo esfrie nos quilômetros de tubulação no fundo do mar e endureça a ponto de entupir a linha.</p><p>A Serra será a única planta fora dos Estados Unidos a aplicar o sistema, de acordo com a empresa. Parte dos funcionários capixabas será enviada ao país para treinamento.</p><p>A linha já nasce com encomenda. Em maio, a Vallourec fechou com a ExxonMobil pedidos para os projetos petrolíferos na Guiana. Os contratos somam mais de 145 quilômetros de dutos e cerca de 40 mil toneladas.<br>Desse total, 90 quilômetros (aproximadamente 22 mil toneladas) receberão o novo isolamento aplicado na Serra. Os pedidos incluem ainda revestimentos contra corrosão.</p><p>A unidade também atende o mercado brasileiro. Em julho, a companhia assinou contrato com a Allseas, empresa responsável pela instalação, para fornecer 143 quilômetros de tubos (cerca de 19 mil toneladas) ao projeto Atapu 2, operado pela Petrobras no pré-sal da Bacia de Santos.<br>Esse contrato mostra a cadeia completa. Os tubos saem da usina de Jeceaba, em Minas Gerais, e o revestimento térmico é feito na Serra.</p><p>Philippe Guillemot, presidente do conselho e CEO global da Vallourec, afirmou na ocasião que o acordo "ilustra perfeitamente a nossa estratégia de oferecer soluções integradas e de alto valor".</p><p>Uma expansão construída em etapas</p><p>A nova linha é o terceiro movimento da companhia no município. A fábrica começou a operar em março de 2007, com R$ 160 milhões em investimentos e capacidade projetada de 90 mil toneladas por ano.</p><p>O segundo veio em setembro de 2024, com o anúncio da compra da Thermotite do Brasil por US$ 17,5 milhões. A empresa, especializada em isolamento térmico de dutos, pertencia à canadense Mattr e já funcionava dentro do complexo industrial da Serra. A aquisição foi concluída em junho de 2025.</p><p>Com o negócio, a Vallourec trouxe para a Serra uma etapa que antes estava nas mãos de outra empresa. A nova linha amplia essa capacidade e acrescenta uma tecnologia com licença exclusiva fora dos EUA.</p><p>Para o Espírito Santo, a expansão fixa no estado uma fase industrial de maior valor em um município que já concentra boa parte da economia capixaba. A Serra respondeu por 17,9% do PIB do Espírito Santo em 2023, segundo o IBGE, e criou 1.056 empregos na indústria em 2024, de acordo com o Novo Caged.</p><p>A Vallourec prevê abrir novos turnos de produção e contratar prestadores locais de manutenção, mas ainda não informou o número de vagas.</p>