Serra e Cachoeiro tem $400 milhões de dólares em exportações expostas às novas tarifas de Trump

Serra ocupa a 4ª posição e Cachoeiro de Itapemirim aparece em 8º em ranking baseado nas exportações de 2024.

Por Redação ·

Serra e Cachoeiro tem $400 milhões de dólares em exportações expostas às novas tarifas de Trump

<p>Serra e Cachoeiro de Itapemirim somaram US$ 394,9 milhões em exportações de produtos potencialmente expostos às novas tarifas dos Estados Unidos, segundo levantamento do Estadão baseado nos embarques realizados em 2024.</p><p>A Serra aparece na 4ª posição do ranking nacional, com US$ 216,2 milhões, atrás de Piracicaba, São Paulo e Joinville. Cachoeiro ocupa o 8º lugar, com US$ 178,7 milhões. Os valores foram divulgados em gráfico elaborado a partir de dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e da Amcham Brasil.</p><p>O montante não corresponde a prejuízo, queda de faturamento ou perda projetada pelas empresas. O levantamento considera o valor exportado em 2024 pelos municípios dentro dos dez grupos de produtos mais alcançados pelas novas medidas americanas, período anterior à entrada em vigor das sobretaxas.</p><p>Os Estados Unidos adotaram duas cobranças adicionais em julho de 2026. A primeira estabeleceu tarifa de 25% sobre determinados produtos brasileiros. A segunda criou uma sobretaxa de 12,5% vinculada a uma investigação americana sobre o combate ao comércio de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Quando as duas medidas incidem sobre um mesmo produto, a cobrança adicional chega a 37,5%.</p><p>O MDIC estima que 23,1% das exportações brasileiras aos Estados Unidos estejam alcançadas pelas duas novas ações. Desse total, 16,5% estão sujeitos à cobrança acumulada de 37,5%, enquanto 4,7% enfrentam apenas a tarifa de 12,5% e 1,9%, somente a de 25%.</p><p>No Espírito Santo, a principal preocupação está na cadeia de rochas naturais. O código tarifário que abrange os quartzitos brasileiros foi mantido entre as exceções à tarifa adicional de 25%, mas o produto continua alcançado pela cobrança de 12,5%. Mármores, granitos e ardósias permanecem sujeitos à medida de 25% e, conforme o enquadramento de cada mercadoria, podem acumular as duas sobretaxas.</p><p>Mármore e granito representam aproximadamente 30% das exportações brasileiras de rochas naturais para os Estados Unidos, segundo a Centrorochas. A entidade afirma que trabalha na abertura de outros mercados, mas reconhece que a escala e o perfil da demanda americana dificultam uma substituição rápida.</p><p>A exposição de Serra e Cachoeiro ganha maior peso porque o Espírito Santo mantém uma relação comercial acima da média brasileira com os Estados Unidos. Em 2024, o mercado americano recebeu 28,6% das exportações capixabas. Entre as rochas naturais, a proporção chegou a 64,7% do total exportado pelo setor.</p><p>Essa dependência significa que mudanças nas condições de acesso ao mercado americano podem atingir diretamente preços, margens, contratos e decisões de produção. Ainda não há, porém, estimativa pública de perda de receita, redução de empregos ou queda da arrecadação em Serra e Cachoeiro provocada pelas novas tarifas.</p><p>O comércio entre Brasil e Estados Unidos já vinha perdendo ritmo antes das medidas mais recentes. As exportações brasileiras ao mercado americano somaram US$ 17,4 bilhões no primeiro semestre de 2026, queda de 13% em relação ao mesmo período de 2025. A participação dos Estados Unidos nos embarques brasileiros recuou de 12,1% para 9,4% no período.</p><p>Para o Espírito Santo, o ranking revela uma vulnerabilidade estrutural: dois de seus principais municípios industriais estão entre os mais expostos a uma mudança tarifária no maior mercado internacional das rochas brasileiras. O efeito efetivo dependerá do enquadramento de cada produto, dos contratos vigentes e da reação dos compradores americanos.</p>