Secagem com gás aumenta rendimento do café em 4,15% e mira novos testes no norte capixaba

Teste com 9,4 mil sacas em Linhares registrou maior rendimento e será apresentado na FICC 2026, em São Mateus

Por Samuel Bonna ·

Secagem com gás aumenta rendimento do café em 4,15% e mira novos testes no norte capixaba

<p>Um projeto-piloto realizado em Linhares apontou ganho potencial de 4,15% no rendimento da secagem do café com gás natural e agora estuda ampliar os testes para outras propriedades do Norte do Espírito Santo na colheita de 2027. Os resultados serão apresentados em outubro durante a Feira Internacional do Café Conilon, em São Mateus.</p><p>Entre maio e agosto, cerca de 9,4 mil sacas passaram pelo experimento na Fazenda Chapadão. O estudo comparou três secadores abastecidos com gás natural e três movidos a lenha, acompanhando temperatura, tempo de secagem, consumo de combustível e características do café.</p><p>Nos testes divulgados, o sistema a gás registrou rendimento de 39,73 sacas de café seco, ante 38,15 sacas no sistema a lenha, diferença equivalente a 4,15%. Os resultados são preliminares e correspondem às condições específicas do experimento.</p><p>O teste também encontrou diferença na qualidade das amostras. Nas análises realizadas pela JDE Peet’s, a incidência de notas de fumaça ficou em 1% no café processado com gás natural, ante 27% nas amostras comparadas. Outros 93% dos cafés analisados no sistema atingiram classificação sensorial Neutro ou superior.</p><p>A pesquisa recebeu investimento de pouco mais de R$ 1 milhão e reúne Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV), ES Gás, Ifes, JDE Peet’s e Base 27, com acompanhamento da Agência de Regulação de Serviços Públicos do Espírito Santo.</p><p>A próxima etapa deverá ajudar a determinar se os resultados obtidos em Linhares podem ser reproduzidos em diferentes propriedades e condições de produção. A viabilidade econômica da adoção do gás em maior escala também depende de fatores como custo do combustível, infraestrutura e operação dos secadores.</p><p>O projeto será apresentado em 8 de outubro, durante a FICC 2026, em São Mateus. A pesquisa tem duração prevista de 12 meses.</p>