Samarco prevê investimento de R$ 3,5 bilhões em Ubu após dobrar investimentos no semestre
Complexo de Anchieta deve mobilizar cerca de 4 mil postos; produção da mineradora cresceu 8% no primeiro semestre.
Por Redação ·
<p>A Samarco mais que dobrou seus investimentos no primeiro semestre de 2026 enquanto avança na última etapa da retomada operacional. O CAPEX consolidado da mineradora chegou a US$ 217,2 milhões entre janeiro e junho, alta de 112% sobre o mesmo período do ano passado. No Espírito Santo, a companhia prevê aproximadamente R$ 3,5 bilhões para modernizar e reativar estruturas do Complexo de Ubu, em Anchieta.</p><p>A expansão da operação capixaba deve mobilizar cerca de 4 mil postos de trabalho entre 2026 e 2027, segundo a Samarco. Aproximadamente 400 serão empregos próprios e os demais estarão ligados às empresas contratadas para a execução dos projetos.</p><p>Os recursos destinados a Ubu fazem parte do plano de R$ 13,8 bilhões da Samarco para levar suas operações em Minas Gerais e no Espírito Santo a 100% da capacidade produtiva instalada a partir de 2028. No complexo capixaba, o projeto contempla principalmente a modernização e a reativação das usinas de pelotização 1 e 2.</p><p>A aceleração das obras já aparece no balanço. Dos US$ 217,2 milhões investidos pela companhia no primeiro semestre, US$ 178 milhões foram destinados a projetos de crescimento, avanço de 165% em relação ao mesmo período de 2025. Apenas no segundo trimestre, o CAPEX total alcançou US$ 148,2 milhões, 137% acima do registrado um ano antes.</p><p><strong>Produção cresce 8% no semestre</strong></p><p>A Samarco produziu 7,7 milhões de toneladas de pelotas e finos de minério de ferro entre janeiro e junho, crescimento de 8% na comparação anual. As vendas somaram 7,1 milhões de toneladas, avanço de 4%.</p><p>A produção de pelotas, etapa industrial realizada no complexo de Ubu, chegou a 6,2 milhões de toneladas no semestre, aumento de 13%. No segundo trimestre, a produção total foi de 3,9 milhões de toneladas, enquanto as vendas avançaram 23% sobre os três primeiros meses do ano, também para 3,9 milhões de toneladas.</p><p>O aumento dos volumes não se refletiu integralmente na receita. A Samarco encerrou o semestre com US$ 873,4 milhões de receita líquida, praticamente estável em relação aos US$ 870,3 milhões registrados no primeiro semestre de 2025. O preço médio realizado caiu 4%, para US$ 124,4 por tonelada.</p><p><strong>Expansão alcança fornecedores capixabas</strong></p><p>O efeito econômico da operação no Espírito Santo vai além dos empregos diretamente ligados às obras. Entre novembro de 2020 e março de 2026, Samarco e empresas contratadas desembolsaram mais de R$ 1,3 bilhão em compras locais no Estado, segundo dados divulgados pela mineradora.</p><p>A nova etapa tende a aumentar a demanda por serviços industriais. Em julho, uma rodada de negócios realizada pela Findes reuniu 91 empresas capixabas e uma das contratadas envolvidas na retomada da capacidade produtiva da Samarco, com foco em fornecedores e prestadores de serviços do Espírito Santo.</p><p>A movimentação ganha relevância em Anchieta porque Ubu concentra as usinas de pelotização e o terminal marítimo da mineradora. A partir de 2028, com a conclusão do chamado Momento 3, a Samarco pretende voltar a operar com 100% da capacidade instalada.</p>