Samarco deixa capixabas em segundo plano e contrata fornecedores de Minas

Empresários do Espírito Santo criticam baixa participação local nas obras da retomada da mineradora em Anchieta, que fazem parte de um ciclo de R$ 3 bilhões dentro de um plano total estimado em R$ 12 bilhões até 2028

Por Redação ·

Samarco deixa capixabas em segundo plano e contrata fornecedores de Minas

A nova fase de retomada operacional da Samarco em Anchieta começou cercada por expectativa econômica no Espírito Santo. Mas, junto da previsão de geração de empregos e da retomada industrial, cresce também um movimento de insatisfação entre empresários e fornecedores capixabas, que afirmam estar ficando à margem dos principais contratos ligados às obras bilionárias da mineradora.

O principal foco das críticas é a contratação da Milplan Engenharia, empresa de Minas Gerais escolhida para executar uma das maiores frentes do chamado “Momento 3”, etapa considerada estratégica dentro do plano de retomada plena da Samarco. O pacote integra um ciclo de investimentos estimado em cerca de R$ 3 bilhões, dentro de um programa total previsto de aproximadamente R$ 12 bilhões até 2028.

Embora a mineradora estime geração de aproximadamente 1.300 empregos ao longo das obras, representantes do setor produtivo local afirmam que a participação das empresas capixabas nas grandes contratações está abaixo do esperado. A percepção no mercado é que parte relevante da cadeia de fornecimento industrial está sendo absorvida por grupos de fora do Estado, especialmente mineiros.

Empresários ligados aos segmentos de montagem industrial, metalmecânico, manutenção, logística e construção relatam frustração com o baixo volume de contratos locais até agora. Nos bastidores, a avaliação é que a retomada poderia representar uma oportunidade histórica para fortalecimento da indústria regional, principalmente em Anchieta e municípios vizinhos.

O tema ganhou ainda mais repercussão porque a Samarco possui operação estratégica no litoral sul capixaba e historicamente movimenta uma ampla cadeia econômica no Espírito Santo. Para parte do setor empresarial, o avanço de fornecedores externos reduz o efeito multiplicador que os investimentos poderiam gerar sobre renda, arrecadação e desenvolvimento industrial regional.

Apesar das críticas, a expectativa é que uma parcela relevante da mão de obra operacional seja contratada no próprio Espírito Santo. Segundo informações divulgadas localmente, cerca de 60% das vagas previstas devem ser preenchidas por trabalhadores da região sul capixaba.

A discussão reacende um debate antigo dentro do setor produtivo do Estado: até que ponto os grandes investimentos realizados no Espírito Santo conseguem, de fato, irradiar riqueza para empresas locais. Em projetos industriais de grande escala, o conteúdo regional das contratações costuma ser acompanhado de perto por entidades empresariais justamente pelo potencial de impacto sobre emprego, renda e fortalecimento da cadeia produtiva capixaba.