Rochas naturais: cada R$ 1 de faturamento movimenta R$ 3 na economia capixaba
Estudo da Futura Inteligência estima impacto de R$ 31,7 bilhões por ano, equivalente a 10,4% da produção capixaba.
Por Redação ·
<p>Cada R$ 1 que as pedreiras e serrarias do Espírito Santo faturam põe outros R$ 2 para girar na economia do estado. O dinheiro passa pelo posto que vende o diesel, pela fábrica de abrasivos, pela transportadora, pela oficina de máquinas e pelo comércio das cidades onde a pedra é extraída e cortada. O cálculo é da Futura Inteligência.</p><p>O setor de rochas produz R$ 10,6 bilhões por ano no Espírito Santo. Com o efeito sobre fornecedores e prestadores de serviço, o dinheiro movimentado chega a R$ 31,7 bilhões, ou 10,4% de toda a produção capixaba. Em outras palavras, um em cada dez reais produzidos no estado passa, direta ou indiretamente, por uma pedreira ou uma serraria.</p><p>O efeito acontece em ondas. Na primeira, as empresas de rochas compram o que precisam para funcionar: combustível, energia, máquinas, abrasivos, frete e serviços. Só essa rodada soma R$ 7,1 bilhões.</p><p>Na segunda, quem vendeu para o setor também precisa comprar de alguém. A transportadora abastece, troca pneu e paga mecânico. O fabricante de máquinas compra aço e contrata gente. Essa cascata adiciona mais R$ 14 bilhões.</p><p>Somadas, as duas ondas geram R$ 21,1 bilhões além do que o próprio setor produz. É como se, todos os dias do ano, R$ 86,8 milhões circulassem pela economia capixaba por causa da pedra.</p><p>Sozinhas, pedreiras e serrarias respondem por 3,5% da produção do estado. Com a cadeia inteira, a fatia triplica.</p><p>O efeito não é igual em toda a cadeia. Na extração, cada R$ 1 gera R$ 4,42 na economia. A razão é simples: arrancar um bloco do maciço consome mais diesel, explosivos, máquinas pesadas e caminhões por real produzido do que qualquer outra etapa.</p><p>Nas serrarias, que concentram 85% da produção do setor (R$ 9 bilhões), cada R$ 1 vira R$ 2,76. O número é menor, mas a base é muito maior, e é ali que está a maior parte do dinheiro.</p><p>O mesmo efeito multiplicador aparece nos salários. As empresas de rochas pagam R$ 1,7 bilhão por ano em remunerações diretas, 2,8% de tudo o que se paga em salário no Espírito Santo. Com a cadeia, o valor sobe para R$ 5,3 bilhões, ou 8,7% da massa salarial do estado, cerca de R$ 442 milhões por mês.</p><p>O setor tem 1.977 empresas e 20.240 empregos formais no estado, 27,8% das vagas do segmento no país, segundo o Panorama.</p>