Rochas naturais movimentam R$ 31,7 bilhões no Espírito Santo
Cadeia de rochas naturais responde por 10,4% do valor bruto da produção capixaba.
Por João Flávio Figueiredo ·
<p>Um em cada dez reais produzidos na economia do Espírito Santo passa, direta ou indiretamente, pelas pedreiras e serrarias do estado. O setor de rochas ornamentais produz R$ 10,6 bilhões por ano, mas o dinheiro que ele põe para girar chega a R$ 31,7 bilhões, ou 10,4% de toda a produção capixaba.</p><p>O cálculo é da consultoria Futura, feito com dado de 2021, a mais recente disponível. O estudo foi apresentado nesta terça-feira (3), em Vitória, no lançamento do Panorama de Rochas Naturais do Brasil, levantamento da Centrorochas.</p><p>A conta parte do VBP (valor bruto da produção, tudo o que o setor vende). Sozinhas, pedreiras e serrarias respondem por 3,5% da produção do estado. Quando entram os fornecedores de diesel, abrasivos, máquinas, energia, frete e serviços, a fatia triplica.</p><p>“O setor brasileiro de rochas naturais é maior do que a percepção que ainda se tem sobre ele”, disse Tales Machado.</p><p>O multiplicador do setor é de 3,00. Para cada R$ 1 que sai das pedreiras e serrarias capixabas, outros R$ 2 aparecem na economia. Os R$ 10,6 bilhões geram R$ 7,1 bilhões em compras diretas de fornecedores e mais R$ 14 bilhões no efeito cascata das cadeias seguintes, somando R$ 21,1 bilhões adicionais. Somando os valores, chegamos aos R$ 31,7 bilhões.</p><p>Na pedreira, o efeito é ainda maior: cada R$ 1 extraído gera R$ 4,42 na economia. Na serraria, que concentra 85% da produção do setor (R$ 9 bilhões), o multiplicador é de 2,76. A extração consome mais combustível, explosivos, máquinas pesadas e caminhões por real produzido.</p><p>O efeito se repete na folha de pagamento. O setor paga R$ 1,7 bilhão em remunerações diretas, 2,8% da massa salarial do Espírito Santo. Com a cadeia, o valor chega a R$ 5,3 bilhões, ou 8,7% de tudo o que se paga em salários no estado.</p><p>Em número de trabalhadores, o Espírito Santo também lidera. Segundo o Panorama o estado reúne 20.240 empregos formais no setor de rochas e 1.977 empresas, o equivalente a 27,8% dos empregos e 17,1% das empresas do país. Minas Gerais, segundo colocado, tem pouco mais da metade das vagas: 11.237. Só Cachoeiro de Itapemirim concentra 458 empresas de beneficiamento.</p>