Rochas brasileiras mantêm agenda estratégica nos EUA com nova missão a Washington

Em missão a Washington, setor busca preservar espaço no mercado que responde por mais da metade das exportações brasileiras de rochas naturais.

Por Fábio Cruz ·

Rochas brasileiras mantêm agenda estratégica nos EUA com nova missão a Washington

<p>O setor brasileiro de rochas naturais vive um momento que exige atenção redobrada ao comércio internacional. Ao mesmo tempo em que ampliamos nossa presença em novos mercados, não podemos perder de vista os Estados Unidos, que continuam sendo, de longe, o principal destino das rochas brasileiras no exterior.</p><p>É por isso que estamos novamente em Washington. Entre os dias 15 e 17 de setembro, cumprimos uma agenda de reuniões com representantes do governo e do Congresso norte-americano, além de entidades empresariais, instituições ligadas à relação entre Brasil e Estados Unidos e interlocutores do setor privado.</p><p>Essa presença não é pontual. Estamos construindo uma agenda permanente de relacionamento nos Estados Unidos porque decisões tomadas em Washington têm impacto direto sobre a competitividade das empresas brasileiras.</p><p>Os números ajudam a dimensionar essa relação.</p><p>Em 2025, os Estados Unidos importaram US$ 795 milhões em rochas naturais brasileiras, o equivalente a 53,6% de todas as exportações do setor. Foram aproximadamente 587 mil toneladas destinadas ao mercado norte-americano.</p><p>Mesmo em um ambiente comercial mais desafiador, essa participação permaneceu elevada em 2026. Apenas no primeiro semestre, os Estados Unidos compraram US$ 364,3 milhões em rochas brasileiras e responderam por 51,2% das vendas externas do setor.</p><p>Para o Espírito Santo, essa discussão é ainda mais relevante. O Estado concentra a maior parcela da indústria brasileira de rochas naturais e grande parte das exportações nacionais. O desempenho desse mercado, portanto, repercute diretamente sobre empresas, empregos e investimentos da cadeia produtiva capixaba.</p><p>O cenário ganhou complexidade nos últimos meses. Desde julho, parte das rochas naturais brasileiras passou a enfrentar uma tarifa adicional de 25% nos Estados Unidos. Mais recentemente, uma nova medida estabeleceu tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros.</p><p>Esse movimento aumenta o custo de entrada do produto brasileiro e exige uma atuação mais próxima dos agentes que participam das decisões comerciais norte-americanas.</p><p>Nosso trabalho em Washington parte de um ponto importante: a relação entre a indústria brasileira de rochas e os Estados Unidos não termina quando uma chapa de pedra deixa um porto brasileiro.</p><p>Na verdade, é exatamente ali que começa uma extensa cadeia econômica dentro do território norte-americano.</p><p>Cerca de 99,9% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos são de produtos semimanufaturados, principalmente chapas. Depois de desembarcarem no país, essas rochas passam por etapas de fabricação, acabamento, distribuição e instalação.</p><p>Isso significa que o produto brasileiro movimenta empresas e profissionais norte-americanos ao longo de toda a cadeia da construção e do mercado imobiliário.</p><p>É essa realidade que temos apresentado nas conversas com representantes do Senado, da Câmara dos Representantes, do Departamento de Comércio dos Estados Unidos, da U.S. Chamber of Commerce, do Brazil-U.S. Business Council, da Embaixada do Brasil e de outras instituições.</p><p>Nosso objetivo é simples: fazer com que o setor seja ouvido nos espaços em que decisões capazes de afetar sua competitividade estão sendo discutidas.</p><p>Brasil e Estados Unidos construíram, ao longo de décadas, uma relação comercial sólida no segmento de rochas naturais. Há empresas dos dois lados, profissionais especializados, distribuidores, fabricantes e instaladores conectados por essa cadeia.</p><p>Ao mesmo tempo, precisamos continuar diversificando mercados. A indústria brasileira tem capacidade para ampliar sua presença em diferentes regiões do mundo e reduzir sua dependência de um único destino.</p><p>Diversificar, no entanto, não significa abandonar o maior mercado.</p><p>Os Estados Unidos continuarão ocupando uma posição central para as exportações brasileiras de rochas naturais. Preservar esse espaço, ampliar o diálogo e explicar a importância dessa cadeia para as duas economias passou a ser parte fundamental da estratégia internacional do setor.</p><p>É esse trabalho que estamos fazendo em Washington.</p>