Porto capixaba entra no mapa dos terminais com potencial para eólica offshore
Porto Central, em Presidente Kennedy, está entre os seis terminais com maior potencial do país, mas ainda precisa de adaptações.
Por Redação ·
<p>O Porto Central, em Presidente Kennedy, entrou na lista dos seis portos brasileiros com maior potencial para atender a indústria de energia eólica offshore (geração com turbinas instaladas no mar). A seleção consta de um estudo apresentado nesta quarta-feira, 28, pelos ministérios de Minas e Energia e de Portos e Aeroportos, durante o Brazil Windpower 2026.</p><p>Parques eólicos no mar dependem de portos para receber, armazenar e pré-montar peças gigantes antes de levá-las ao oceano. Quem tem um porto preparado pode disputar esse trabalho, que movimenta carga, serviços e mão de obra. O Brasil ainda estrutura essa cadeia, e o estudo ajuda a indicar onde ela pode se instalar.</p><p>Além do capixaba, foram selecionados o Açu, no Rio de Janeiro, Pecém, no Ceará, Suape, em Pernambuco, Imbituba, em Santa Catarina, e Rio Grande, no Rio Grande do Sul. O Sudeste aparece com dois representantes: o Porto Central e o Açu.</p><p>O diagnóstico foi feito pela consultoria COWI, dentro de uma cooperação técnica entre Brasil e Dinamarca que inclui a Agência Dinamarquesa de Energia. Os critérios foram acesso marítimo, capacidade de carga, áreas para armazenagem e pré-montagem, infraestrutura de transporte e presença de indústrias associadas.</p><p>A análise considerou dois cenários. No primeiro, grandes parques offshore usam turbinas de 15 a 20 megawatts (MW, unidade de potência) instaladas a mais de 20 quilômetros da costa. No segundo, projetos nearshore (mais próximos do litoral) têm turbinas de 6 a 8 MW, a até 20 quilômetros.</p><p>Quanto maior a turbina, maior a exigência sobre o porto. Torres, pás e estruturas de fixação ocupam áreas extensas, pesam muito e precisam de acesso adequado a embarcações especializadas.</p><p>Para o Espírito Santo, o impacto por enquanto é de posicionamento. O estudo orienta decisões de planejamento e investimento, e Presidente Kennedy passa a constar formalmente nele, o que coloca o Porto Central no radar federal de planejamento portuário, que será atualizado nos próximos anos.</p><p>Se os projetos eólicos offshore avançarem, portos preparados poderão disputar armazenagem, pré-montagem, movimentação de equipamentos e apoio às operações marítimas. O estudo, porém, não define quais portos serão usados pelos empreendimentos, e a escolha final dependerá de cada projeto.</p><p>A seleção também não altera o estágio físico ou financeiro do Porto Central. Todos os seis portos precisam evoluir para atender projetos de grande escala. Entre as necessidades listadas estão adequações de infraestrutura, ampliação das áreas operacionais, reforço estrutural dos cais e intervenções de segurança e segregação das operações.</p>