Espírito Santo produz 73,5 mil toneladas de pimenta-do-reino e responde por 61% da safra nacional
Estado colheu 73,5 mil toneladas em 2024 e respondeu também por 58% das exportações brasileiras da especiaria.
Por Redação ·
<p>O Espírito Santo concentrou 61% da produção brasileira de pimenta-do-reino em 2024, com uma safra de 73,5 mil toneladas colhidas em 20,2 mil hectares. O resultado manteve o Estado na liderança nacional de uma das culturas agrícolas que mais ganharam escala no campo capixaba nos últimos anos.</p><p>A produção ficou abaixo das 77,7 mil toneladas registradas em 2023, enquanto a área colhida avançou de 19,6 mil para 20,2 mil hectares. O movimento levou o rendimento médio para 3.634 quilos por hectare em 2024.</p><p>Mesmo com a queda anual, a trajetória de longo prazo mostra uma transformação mais profunda. Em 2014, o Espírito Santo produzia 7,6 mil toneladas de pimenta-do-reino. Dez anos depois, o volume era quase dez vezes maior, acompanhado pela expansão das lavouras e pela consolidação do Norte capixaba como principal polo produtor da especiaria no Estado.</p><p>Parte dessa transformação também ocorre dentro das propriedades. Em Pinheiros, Sávio Cazelli Torezani cultiva 171 hectares de pimenta-do-reino distribuídos entre quatro fazendas e passou a investir em tecnologia para tornar a colheita mais eficiente. Em 45 hectares, o produtor instalou lonas estáticas sob as lavouras, sistema que reduz a necessidade de capina e herbicidas, evita o contato dos grãos com o solo e melhora o aproveitamento da produção. O investimento varia entre R$ 27 mil e R$ 30 mil por hectare. Torezani também estuda mecanizar a retirada da pimenta das lonas para diminuir a dependência de mão de obra.</p><p>O avanço tecnológico acompanha uma cadeia cada vez mais orientada ao mercado externo. Em 2024, o Espírito Santo manteve a posição de maior exportador brasileiro de pimenta-do-reino, reforçando uma liderança que vai além da produção agrícola.</p><p>As vendas externas capixabas movimentaram US$ 163,1 milhões no ano, com aproximadamente 35,5 mil toneladas embarcadas. A especiaria ficou entre os principais produtos da pauta exportadora do agronegócio estadual, ao lado do complexo cafeeiro e da celulose.</p><p>A produção capixaba chegou a dezenas de mercados internacionais, aumentando a exposição dos produtores às oscilações de preços, câmbio e, principalmente, às exigências de qualidade dos compradores.</p><p>Esse movimento colocou temas como rastreabilidade, resíduos químicos, secagem e processamento pós-colheita no centro das discussões do setor. O objetivo é elevar a qualidade do produto brasileiro justamente em um momento em que o Espírito Santo já concentra a maior parcela da produção nacional.</p><p>A escala alcançada pela pimenta-do-reino mostra como uma cultura antes relativamente pequena ganhou espaço econômico no Norte capixaba. Hoje, produção, tecnologia e exportações avançam dentro de uma mesma cadeia, com o Espírito Santo ocupando a posição central desse mercado no país.</p>