O PIB do Espírito Santo cresceu. E o capixaba, ficou mais rico?

PIB cresce, mas renda ainda fica para trás.

Por Lorena Varejão ·

O PIB do Espírito Santo cresceu. E o capixaba, ficou mais rico?

<p>A economia capixaba cresce acima da média nacional, puxada por petróleo e mineração. Mas os dados de renda e endividamento mostram que esse avanço ainda não chegou ao bolso das famílias.<br><br>No ano passado, o PIB do Espírito Santo avançou 3,9%, bem acima da média do Brasil (2,3%) e do desempenho do próprio estado em 2024 (2,6%). O ritmo continuou forte em 2026: no segundo trimestre, a economia capixaba cresceu 4,7%, mais que o dobro dos 2% do Brasil.<br><br>Quem puxou essa alta foram as indústrias extrativas, com destaque para petróleo e mineração. É um excelente resultado, porque indústria forte atrai investimento, movimenta empresas e aumenta a arrecadação.<br><br>Mas será que esse dinheiro está chegando à mesa do capixaba? Os números dizem que não.<br><br>Em 2025, a renda média por pessoa no Espírito Santo foi de R$ 2.249 por mês, a menor do Sudeste e abaixo da média nacional, de R$ 2.316. Em 2024, a renda média dos capixabas estava acima da média do país, e o cenário se inverteu justamente no ano em que a economia acelerou. Além da renda ter ficado para trás, 87,8% das famílias do estado têm dívidas, e o cartão de crédito é o principal vilão.<br><br>Parte da explicação está no tipo de crescimento. Petróleo e mineração geram muita riqueza mas uma pequena fatia disso fica no estado. É como uma empresa que fatura mais, mas vê os custos subirem no mesmo ritmo: vende mais e não lucra mais. Produzir mais, ganhar mais e construir patrimônio são três coisas diferentes.<br><br>O Espírito Santo vive um ótimo momento de PIB, mas ainda não de renda e patrimônio das pessoas. A lição vale tanto para o governo quanto para as famílias: crescimento só vira riqueza quando parte dele é preservada e reinvestida. Para o governo, isso significa usar este ciclo favorável para destravar infraestrutura, atrair setores que empregam mais e reduzir a dependência das commodities.<br><br>Para o capixaba, significa não transformar cada aumento de renda em novas parcelas, e sim em quitação de dívidas, reserva e investimento. Ciclos de alta não duram para sempre, e o momento de se preparar para a próxima virada é justamente enquanto o dinheiro está entrando.<br></p>