Petróleo capixaba recua 4,2% com parada de plataforma em Anchieta
Em 12 meses, produção do ES cresce 10,8%, metade do ritmo nacional, e Estado perde participação.
Por Redação ·
<p>A produção de petróleo do Espírito Santo caiu 4,2% em setembro, em comparação com o mês de agosto, para 263,7 mil barris por dia, segundo a ANP. Na comparação com setembro de 2025, quando o Estado produziu cerca de 238 mil barris diários, a alta é de 10,8%, metade do avanço nacional no período.</p><p>No mesmo mês, o Brasil bateu recorde, com 4,71 milhões de barris diários, alta de 2,1% sobre agosto puxada pelo pré-sal.</p><p>A queda mensal tem causa identificada. O FPSO (navio-plataforma) Cidade de Anchieta, no campo de Jubarte, passou por parada programada entre 23 de setembro e 4 de outubro e respondeu sozinho por 42% do recuo. Com a unidade de volta à operação, parte da perda tende a não se repetir em outubro.</p><p><strong>Crescimento concentrado</strong></p><p>A diferença no ritmo anual está na origem do crescimento. No Espírito Santo, o ganho de 2026 depende de dois projetos: a ampliação do FPSO Maria Quitéria, também em Jubarte, e a entrada em produção do campo de Wahoo, da Prio. Na Bacia de Santos, várias plataformas do pré-sal aceleram ao mesmo tempo, o que sustenta um ritmo maior e dilui paradas pontuais.</p><p>O efeito aparece na fatia do Estado, que caiu de 6,1% para 5,6% da produção nacional em um ano.</p><p><strong>Por que importa</strong></p><p>O petróleo explica boa parte da vantagem capixaba sobre o resto do país. Segundo o IAE-Findes, a atividade do Estado cresceu 4,4% no primeiro semestre, mais que o dobro do PIB brasileiro (1,9%), com a extração de petróleo e gás avançando 49,1%.</p><p>Uma produção que cresce menos reduz essa vantagem e limita a expansão dos royalties, calculados sobre volume, preço do petróleo e câmbio. O impacto é maior nos municípios que dependem desses repasses para financiar obras.</p><p>Para fornecedores de manutenção, engenharia e apoio marítimo, setembro não é má notícia, já que paradas programadas geram mais serviço. A demanda dos próximos anos depende do ritmo de novos projetos nos campos capixabas.</p>