6,4 mil empresas: onda de recuperações judiciais acende alerta vermelho
Brasil encerrou o primeiro semestre com 6.341 empresas em recuperação judicial.
Por Redação ·
<p>Casas Bahia, Americanas, Estrela, Tok&Stok, Marabraz e Habib’s estão entre empresas de diferentes setores que recorreram à recuperação judicial para reorganizar suas dívidas. O movimento também alcança clubes de futebol, como Botafogo e Vasco, e ocorre em um cenário de pressão sobre o caixa, crédito mais caro e maior dificuldade de renegociação de passivos.</p><p>O Brasil encerrou o primeiro semestre de 2026 com 6.341 empresas em recuperação judicial, com alta de 6,2% em relação ao fim de 2025. O avanço também é expressivo entre empresas de menor porte: entre o primeiro trimestre de 2023 e o segundo trimestre de 2026, o número de microempresas em recuperação judicial cresceu 133%, enquanto entre as pequenas empresas a alta foi de 69%.</p><p>O varejo é um dos setores que mais chamam atenção nesse cenário. No primeiro semestre, 986 empresas do segmento estavam em recuperação judicial, alta de 20,4% em 12 meses. O setor representa 12,4% das empresas em recuperação no país.</p><p>Um dos principais fatores por trás dessa onda é a combinação entre juros elevados, crédito mais caro e restrito e endividamento acumulado, segundo Thiago Rezende, especialista em Direito Empresarial e Recuperação Judicial do escritório Finamore Simoni.</p><p>“O que estamos vendo é resultado de uma combinação de fatores. Muitas empresas chegaram a 2026 já bastante endividadas e passaram a enfrentar um custo de crédito muito maior. Quando a dívida cresce mais rápido do que a capacidade de geração de caixa, a empresa começa a utilizar novos empréstimos para pagar compromissos anteriores, criando um ciclo que pode se tornar insustentável”, explica Thiago Rezende.</p><p>Para os especialistas, outro ponto de atenção é que a recuperação judicial não deve ser encarada como uma solução automática para qualquer dificuldade financeira. Antes de chegar ao Judiciário, empresas podem avaliar alternativas como renegociação direta com credores, mediação e recuperação extrajudicial.</p><p>“O momento em que a empresa procura ajuda pode ser decisivo. Quanto antes o empresário reconhece que existe um problema estrutural no endividamento, maior é a possibilidade de negociar e preservar a atividade. Esperar o caixa acabar reduz significativamente as alternativas disponíveis”, ressalta Thiago Rezende, do Finamore e Simoni Advogados.</p><p>A recuperação judicial, quando aplicada a uma empresa economicamente viável, pode permitir a reorganização dos passivos, a suspensão de determinadas cobranças e a negociação estruturada com os credores. O objetivo é criar condições para que o negócio continue operando enquanto busca recuperar sua capacidade financeira.</p><p>Para Bruno Finamore, do Finamore Simoni Advogados, o atual cenário serve de alerta também para empresas que ainda não enfrentam dificuldades. “A recuperação judicial costuma ser o resultado de um problema que foi se acumulando ao longo do tempo. O empresário não deve esperar a crise se instalar para analisar sua estrutura de capital. Identificar antecipadamente o comprometimento do caixa e buscar alternativas pode fazer a diferença entre uma reestruturação bem-sucedida e uma crise irreversível.”</p>