Fundada por capixaba, startup Gabriel chega ao Espírito Santo para conectar fachadas de imóveis em rede de inteligência urbana
Com R$ 170 milhões captados, empresa inicia operação em Vitória e Vila Velha.
Por Redação ·
<p>A Gabriel, startup brasileira de tecnologia que captou R$ 170 milhões junto a investidores como SoftBank, Qualcomm Ventures e Globo Ventures, está iniciando sua operação no Espírito Santo. Criada pelo capixaba Erick Coser, a empresa começa a atuar em Vitória e Vila Velha com um modelo que conecta câmeras instaladas em fachadas de imóveis privados a uma rede integrada às autoridades de segurança.</p><p>O Espírito Santo é o quarto estado a receber a tecnologia, depois de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, e o oitavo mercado aberto pela companhia em menos de um ano, após Belo Horizonte e a região metropolitana de São Paulo (Barueri, Guarulhos, Osasco, Santo André, São Bernardo e São Caetano). Fundada em 2020, a Gabriel opera hoje mais de 20 mil câmeras inteligentes em dezenas de cidades brasileiras.</p><p>Batizados de “Camaleões”, os equipamentos ficam em imóveis privados (condomínios residenciais, casas e comércios), sempre direcionados para as vias públicas. Na prática, cada novo totem amplia uma rede colaborativa capaz de identificar veículos envolvidos em crimes, enviar alertas às autoridades e extrair das imagens informações que podem ser usadas em investigações.<br></p><p><strong>Rede lê 1 bilhão de placas por ano</strong></p><p>A tecnologia da Gabriel usa inteligência artificial para ler placas veiculares automaticamente. Quando um veículo envolvido em crime passa por uma área coberta pela rede, um alerta é disparado em tempo real para as forças policiais, que podem despachar viaturas até o local. São cerca de 1.400 alertas por dia, a marca de um por minuto.</p><p>Atualmente, a rede alcança diretamente mais de 840 mil pessoas nas cidades onde está presente e lê 1 bilhão de placas por ano.</p><p>A companhia oferece, como serviço público e gratuito, uma Central de Inteligência que funciona 24 horas por dia. Qualquer pessoa vítima de uma ocorrência dentro da área coberta pode solicitar apoio, mesmo que não seja cliente da empresa.</p><p>A partir do boletim de ocorrência, a equipe analisa as imagens disponíveis e produz um dossiê sobre o caso, encaminhado ao solicitante e às autoridades responsáveis. O objetivo é transformar registros isolados de câmeras em uma sequência de dados capaz de mostrar trajetos, horários, veículos e possíveis conexões entre diferentes ocorrências.</p><p>Para Erick Coser, diretor executivo e fundador da Gabriel, a entrada no mercado capixaba representa um retorno às origens.</p><p>“O Espírito Santo é o quarto estado da Gabriel e é também a terra onde nasci. Começamos nossa operação há seis anos com a convicção de que a constante sensação de insegurança não é um destino que temos de aceitar. Cada estado que entra na nossa rede, cada Camaleão instalado nas fachadas dos imóveis nos aproximam do sonho de viver em um Brasil diferente”, afirma.</p><p>A Gabriel está em fase final de homologação com o Programa Sentinela. Com a integração, as polícias capixabas poderão acessar imagens ao vivo dos equipamentos instalados em Vitória e Vila Velha. O modelo já opera conectado a programas de segurança pública em outras regiões. Em São Paulo, a rede está integrada ao Smart Sampa, ao Monitora Oz e ao Muralha Paulista. Em Belo Horizonte, ao Sistema Hélios e à plataforma BH + Segura. No Rio de Janeiro, a companhia mantém parcerias com as polícias Civil e Militar por meio do Programa 190 integrado.</p><p><strong>No ES, startup aposta em modelo que cada imóvel funciona como um “elo”</strong></p><p>A tecnologia da Gabriel já foi usada na análise de mais de 11 mil ocorrências. Essas investigações contribuíram para mais de 770 indiciamentos, a recuperação de 193 veículos, a localização de 15 pessoas desaparecidas e a comprovação da inocência de outras 11.</p><p>Em São Paulo, casos que contam com informações da rede registram taxa de indiciamento de 14%, frente a uma média estadual de 2% em crimes de roubo e furto, segundo dados apresentados pela empresa com base em números da Polícia Civil. Ou seja: uma ocorrência apoiada pela tecnologia tem sete vezes mais chances de prisão do suspeito.</p><p>No Espírito Santo, a startup aposta em um modelo no qual cada imóvel funciona como um elo. Quanto mais fachadas conectadas, mais ampla se torna a área protegida e maior a capacidade de reconstruir acontecimentos que atravessam diferentes ruas, bairros e até municípios.</p><p>Ao longo de seis anos, a Gabriel recebeu aproximadamente R$ 170 milhões em investimentos para desenvolvimento de tecnologia, com participação de fundos como SoftBank, Astella, Qualcomm Ventures, Globo Ventures, Canary e Norte Ventures.</p>