Pequeno negócio capixaba será o mais afetado pela redução da escala 6x1; consumidor pagará a conta
Setores como bares, restaurantes, hotéis, padarias e comércio de rua avaliam que redução da jornada pode elevar custos operacionais e dificultar manutenção das equipes
Por Redação ·
A discussão nacional sobre o possível fim da escala 6x1 já começa a gerar preocupação entre empresários do comércio e dos serviços no Espírito Santo.
O principal receio do setor produtivo é que uma eventual redução da jornada semanal aumente os custos operacionais justamente nas atividades mais dependentes de mão de obra presencial.
O impacto tende a ser mais sensível nos pequenos negócios. Padarias, bares, restaurantes, hotéis, supermercados, farmácias, lojas de rua e empresas de serviços funcionam em operações contínuas, muitas vezes com equipes enxutas e baixa capacidade de absorver novos custos trabalhistas.
Na avaliação do presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Paulo Baraona, eventuais mudanças precisam ser construídas com diálogo e vinculadas ao aumento de produtividade da economia.
“A Findes defende que eventuais mudanças na jornada semanal estejam condicionadas a ganhos reais de produtividade e discutidas entre sindicatos patronais e laborais”, afirmou.
A preocupação do empresariado é que a mudança não afete apenas a relação entre empresa e trabalhador, mas toda a estrutura operacional dos pequenos empreendimentos. Em muitos casos, reduzir dias trabalhados exigiria ampliação do quadro de funcionários, pagamento maior de horas extras ou reorganização completa das escalas.
O efeito econômico pode chegar também ao consumidor. Com custos maiores para manter funcionamento diário, parte das empresas pode reajustar preços para preservar margens, principalmente em segmentos de alimentação, varejo e serviços urbanos.
O debate ganha ainda mais relevância no Espírito Santo por causa do peso dos pequenos negócios na economia estadual. Micro e pequenas empresas concentram grande parte dos empregos formais em cidades capixabas e têm forte presença em setores ligados ao consumo local e ao turismo.
Além do impacto financeiro, empresários também observam um possível desafio operacional. Atividades que dependem de atendimento presencial contínuo — especialmente aos fins de semana — podem enfrentar dificuldade para reorganizar jornadas sem perda de eficiência ou aumento relevante de custos.
Nos bastidores do setor produtivo, a avaliação predominante é que qualquer mudança estrutural nas relações de trabalho precisará considerar diferenças entre segmentos econômicos, porte das empresas e capacidade real de adaptação dos negócios.