Empresa capixaba Montenegro esculpe banheira em bloco de granito e aposta em agregar valor às rochas naturais brasileiras
Montenegro Granitos, de João Neiva, transforma Bianco Neva em peça acabada e amplia estratégia de agregar design e beneficiamento às rochas naturais.
Por Redação ·
<p>A Montenegro Granitos, empresa sediada em João Neiva, no Espírito Santo, levou à Cachoeiro Stone Fair uma peça que resume a transformação em curso dentro da companhia: uma banheira esculpida diretamente em um bloco de granito Bianco Neva.</p><p>Desenhada pela diretora criativa da marca, Ticiane Lima, a peça faz parte da estratégia da empresa de avançar além da comercialização tradicional de rochas e ampliar a oferta de produtos acabados para projetos personalizados de arquitetura e construção civil.</p><p>O Bianco Neva é uma das principais apostas da Montenegro nessa estratégia. De tonalidade branca e padrão uniforme, o granito está sendo apresentado na feira em diferentes texturas, formas e acabamentos.</p><p>Segundo a empresa, a diversificação acompanha uma procura do mercado brasileiro por soluções mais personalizadas, especialmente entre construtoras, arquitetos e marmorarias.</p><p>A mudança de posicionamento vem sendo conduzida por Renzzo Rizzo, sucessor da companhia fundada por Edimar Rizzo.</p><p>O movimento passa pela combinação entre extração, beneficiamento, design e aplicação das pedras, numa tentativa de capturar uma parcela maior do valor gerado depois que a rocha deixa a pedreira.</p><p>A estratégia também inclui materiais de maior valor agregado. Um dos principais é o Luise Blue, quartzito de produção própria da Montenegro explorado comercialmente desde 2003 e reconhecido principalmente nos mercados dos Estados Unidos e da Europa. O material se destaca pelas tonalidades azuis e pelas variações naturais de seus desenhos.</p><p>Ao lado do Bianco Neva, a empresa levou à Cachoeiro Stone Fair materiais de suas pedreiras superexóticas, explorando o contraste entre duas frentes do portfólio: de um lado, a uniformidade e a versatilidade de aplicação; de outro, pedras marcadas por cores, desenhos naturais e exclusividade.</p><p>A Montenegro vem, mais recentemente, explorando diferentes apresentações dessas rochas. Em fevereiro, lançou uma coleção de moda inspirada nos materiais naturais, com lenços de seda e bolsas, também tendo o Luise Blue como uma das referências. O objetivo declarado por Rizzo é aumentar a percepção de valor das pedras e reduzir a associação do produto exclusivamente a uma commodity.</p><p>A banheira apresentada em Cachoeiro leva essa estratégia para dentro da própria cadeia da construção. Em vez de vender somente o bloco ou a chapa, a empresa passa a mostrar ao mercado uma aplicação acabada, com design próprio e desenhada para projetos específicos.</p><p>O movimento ocorre justamente quando o setor brasileiro busca ampliar o peso das pedras de maior valor agregado em sua pauta comercial.</p><p>No primeiro semestre de 2026, as exportações brasileiras de rochas naturais chegaram a US$ 711,1 milhões, o segundo melhor resultado histórico para o período, embora ainda 4,2% abaixo de 2025.</p><p>Junho marcou uma recuperação: foram US$ 165,2 milhões exportados, alta de 34,1% em um ano e recorde para o mês.</p><p>Os quartzitos responderam por 60,3% do faturamento externo do setor no semestre, com US$ 428,5 milhões em vendas. O Espírito Santo concentra cerca de 80% das exportações brasileiras de rochas.</p><p>A conjuntura ficou mais complexa com as barreiras comerciais dos Estados Unidos, principal mercado das pedras brasileiras.</p><p>Nesse ambiente, ampliar o beneficiamento, trabalhar materiais diferenciados e desenvolver produtos acabados são caminhos adotados por empresas do setor para buscar maior valor por peça comercializada.</p><p>Na Montenegro, essa estratégia aparece de maneira concreta no estande da Cachoeiro Stone Fair.</p><p>A banheira de Bianco Neva não é uma peça isolada, mas sim a vitrine da iniciativa da empresa de vender mais valor a partir da mesma matéria-prima extraída no Brasil.</p>