MGV Engenharia se consolida na Praia do Canto e prepara o frente mar de Vila Velha

Construtora fundada em 2018 tem três projetos na Praia do Canto e avança para a Praia da Costa com empreendimento de quatro suítes.

Por Luiz Stanger ·

MGV Engenharia se consolida na Praia do Canto e prepara o frente mar de Vila Velha

<p>A MGV Engenharia tem três empreendimentos na Praia do Canto, está com o FORMA 85% vendido a treze meses da entrega e comprou um terreno frente mar na Praia da Costa, em Vila Velha. Bati um papo com Manoel Ferreira e Guilherme Dias, dois dos três sócios que comandam a construtora.</p><p>A empresa nasceu em 2018 e o nome vem das iniciais de Manoel, Guilherme e Vitor. Manoel Ferreira, engenheiro civil formado pela Ufes, passou quase oito anos em obras de infraestrutura no Rio de Janeiro e hoje é diretor executivo e comercial. Guilherme Dias veio do Direito e do mercado de investimentos e cuida do administrativo-financeiro. Vitor Peixoto, também engenheiro, é o diretor operacional.</p><p>O primeiro prédio foi o Rooftop Camburi Residence, em Jardim Camburi, a 200 metros da praia, lançado no fim de 2019 na casa de R$ 6,5 mil a R$ 7 mil o metro quadrado. Meses depois veio a pandemia, e o prédio tinha o que o comprador passou a procurar: das oito primeiras unidades vendidas, sete tinham área externa. Em 2022 veio o Haus Praia Camburi, frente mar, com o conceito de casas suspensas. Os dois estão entregues.</p><p><strong>Praia do Canto ou frente mar</strong></p><p>Dali saiu a regra que hoje guia a compra de terrenos: o foco da MGV é Praia do Canto e frente mar. "Frente mar é frente mar em qualquer lugar do mundo", disse Manoel. Guilherme explicou pelo lado da oferta e demanda: onde sobra terreno ao lado, fica difícil gerar valor para quem compra.</p><p>Na Praia do Canto são três empreendimentos. O Brettas Boutique Residence, na Rua Aleixo Netto, será entregue entre janeiro e fevereiro de 2027. São dez unidades, uma por andar, todas diferentes entre si: o apartamento tipo de quatro suítes tem 200 m², e as plantas vão de 117 m² a 280 m². A arquitetura é de Diocelio Grasselli, que assina os projetos da construtora desde o Rooftop, e a fachada recebe um painel vazado de alumínio de 14 metros criado pela artista Ana Paula Castro.</p><p>Segundo Manoel, a customização virou item obrigatório no alto padrão: cerca de 90% das plantas são alteradas, e a obra trabalha com datas-limite para cada tipo de mudança. Na tabela de vendas mais recente restam duas unidades, na faixa de R$ 26,7 mil a R$ 28,5 mil o metro quadrado: um apartamento de três suítes e 117 m² e a cobertura duplex com mezanino, de 280 m².</p><p>O FORMA, na Avenida Rio Branco, bateu a sexta laje e tem entrega prevista para outubro de 2027. O terceiro empreendimento da MGV no bairro já tem terreno fechado: a empresa finaliza os detalhes de tipologia e produto e trabalha para lançar ainda em 2026.</p><p><strong>FORMA: 85% vendido</strong></p><p>O FORMA tem compactos de 28 a 40 m², com gardens perto de 50 m², pensados desde a planta para short stay. A leitura dos sócios: os concorrentes diretos no bairro são prédios de quarto e sala das décadas de 80 e 90, e a rede hoteleira de Vitória encolheu.</p><p>As áreas comuns foram escolhidas para manter o condomínio baixo: salas de reunião, sala de podcast, mercado autônomo, lavanderia, espaço de vinhos e um spa de pouca manutenção.</p><p>O prédio está 85% vendido a treze meses da entrega. O principal comprador veio do interior do estado: passa parte do mês em Vitória, quer ficar na Praia do Canto e pode bloquear na operadora parceira, a Seazone, as datas em que vai usar o apartamento. O resto do calendário vai para locação. Também houve compra para moradia e clientes de fora do estado e do país.</p><p><strong>Terreno, Selic e custo de obra</strong></p><p>Perguntei sobre a disputa por terrenos no miolo da Praia do Canto, que venho chamando de guerra do Pix. Manoel respondeu que a MGV evita entrar em leilão. "A conta é a mesma conta para todo mundo": o custo de obra é igual para todos, e quem paga demais no terreno estrangula a margem ou precisa vender mais caro. Ele define a empresa como indústria, que faz e vende para fazer de novo, sem especular com unidade.</p><p>Com a Selic alta, os dois defendem olhar o imóvel em prazo longo e colocar na conta da valorização tanto o valor recebido com aluguéis quanto o aluguel que deixou de ser pago. Lembraram também que quem compra na planta paga a maior parte só nas chaves, com saldo corrigido pelo CUB, enquanto o dinheiro segue aplicado. Sobre bolha, a resposta coube em uma frase: "Não tenho estoque, como é que eu vou ser bolha?".</p><p>O que pressiona o preço, segundo eles: terrenos cada vez menores e mais estreitos, que obrigam a escalonar o prédio desde a base por causa dos afastamentos exigidos pelas regras construtivas, que são restritivas em Vitória, principalmente em bairros adensados como a Praia do Canto. Isso desalinha as prumadas, consome área e, em alguns casos, empurra a garagem para o subsolo, caro em um solo de lama e aterro. Somam-se o CUB e a mão de obra, que sobem ano após ano.</p><p><strong>Praia da Costa: a entrada da MGV em Vila Velha</strong></p><p>Em Vila Velha, a estreia será em um terreno frente mar na Praia da Costa, comprado em janeiro e ainda em fase de aprovação. Manoel chamou a compra de "nosso pontapé em Vila Velha". O conceito já está definido: unidades de quatro suítes, que é o que aquele trecho da orla pede, e fachada escalonada. Na orla de Vila Velha, o que obriga a escalonar, além dos afastamentos, é a regra de sombreamento da praia.</p><p>Também de frente para o mar, a MGV fechou com um parceiro uma quadra inteira em Jardim Camburi.</p><p>A empresa tem um conselho consultivo atuante, com familiares dos sócios, e parceiros investidores experientes que entram como sócios em parte dos empreendimentos. O calendário daqui para frente: novo lançamento na Praia do Canto ainda em 2026, entrega do Brettas no início de 2027, entrega do FORMA em outubro de 2027 e dois projetos frente mar em desenvolvimento, em Jardim Camburi e na Praia da Costa.</p><p><em>Informação constrói. Um olhar estratégico sobre imóveis, patrimônio e os bastidores do mundo imobiliário.</em></p>