Mecanização já alcança 40% da produção capixaba e venda de tratores salta 115%

Avanço das máquinas responde à escassez de mão de obra e ganha escala principalmente nas lavouras de café do Norte e Noroeste.

Por Redação ·

Mecanização já alcança 40% da produção capixaba e venda de tratores salta 115%

<p>A mecanização já responde pela colheita de cerca de 40% da produção agropecuária do Espírito Santo, segundo estimativa da Secretaria de Estado da Agricultura. Há dez anos, esse percentual estava próximo de zero. O avanço das máquinas, impulsionado principalmente pelas lavouras de café e pela dificuldade de contratação de trabalhadores, começa a mudar a estrutura produtiva do campo capixaba.</p><p>Um dos sinais está no mercado de tratores. Segundo dados do setor automotivo citados por A Gazeta, as vendas no Estado passaram de 806 unidades em 2021 para 1.732 em 2025. O crescimento foi de 114,9% no período. Cerca de 90% das máquinas vendidas em 2021 tinham produtores rurais como destino.</p><p>O produtor também está comprando mais equipamentos para cada trator. A relação passou de 3,5 implementos agrícolas por máquina vendida em 2021 para 4,5 em 2025. Entram nessa conta equipamentos como grades, arados e plantadeiras.</p><p>A mudança mais visível ocorre nas colheitadeiras automotrizes, equipamentos de maior capacidade que vêm avançando sobretudo sobre a cafeicultura do Norte e Noroeste. Em 2020, segundo o levantamento citado pela coluna de Abdo Filho, nenhuma dessas máquinas operava no Espírito Santo. Hoje, são mais de 100, com valor estimado em cerca de R$ 1,4 milhão por unidade.</p><p>O investimento acontece depois de um ciclo de forte geração de receita no campo. O Valor Bruto da Produção Agropecuária capixaba atingiu R$ 31,2 bilhões em 2024, ante R$ 22,8 bilhões em 2023. A cafeicultura respondeu sozinha por 52,7% desse valor, enquanto a pimenta-do-reino representou outros 7,15%.</p><p>No café, a pressão por mecanização é especialmente relevante. O Espírito Santo possui cerca de 286 mil hectares cultivados com conilon, distribuídos por 49 mil propriedades, e responde por aproximadamente 70% da produção brasileira da variedade. A escassez e o custo da mão de obra durante a colheita são apontados há anos pelo Incaper como um dos principais gargalos da atividade.</p><p>A busca por máquinas não começou agora. Em 2013, sistemas de colheita mecânica testados pelo Incaper em Nova Venécia já indicavam potencial de forte redução na necessidade de trabalhadores. Em 2019, o instituto realizava demonstrações de colheita totalmente mecanizada do conilon em São Mateus.</p><p>A escala atual, porém, não significa que mecanizar integralmente seja a melhor solução para todas as propriedades. Estudo publicado em 2025 por pesquisadores ligados ao Incaper comparou sistemas manual, semimecanizado e mecanizado de colheita do conilon. No cenário analisado, a alternativa semimecanizada apresentou a maior taxa média de retorno, de 45,2%, contra 34,5% na manual e 20,4% na mecanizada.</p><p>A diferença ajuda a explicar por que a transformação do campo capixaba não ocorre de maneira uniforme. Escala da propriedade, topografia, desenho da lavoura, disponibilidade de trabalhadores e custo do equipamento determinam até onde a máquina consegue substituir trabalho manual com retorno econômico.</p><p>O que os números recentes mostram é que essa decisão deixou de ser marginal. Com a venda de tratores mais que dobrando em quatro anos e mais de uma centena de automotrizes já em operação, a mecanização passou a ocupar espaço relevante nas decisões de investimento do agronegócio capixaba.</p>