Lorenzo Pazolini é eleito governador do Espírito Santo; o que esperar na economia?

Estado combina caixa forte com desafios em renda, diversificação e reforma tributária.

Por Redação ·

Lorenzo Pazolini é eleito governador do Espírito Santo; o que esperar na economia?

<p>Lorenzo Pazolini (Republicanos) assume o governo do Espírito Santo em janeiro com um ponto de partida diferente do que encontrou em Vitória, em 2021. <br><br>Na capital, ele começou cortando gastos para depois investir. No Estado, recebe as contas em ordem, com mais dinheiro disponível do que dívidas.<br><br>O desafio agora é outro. Mesmo com o cofre arrumado, o capixaba tem a menor renda do Sudeste. A tarefa é fazer o crescimento chegar ao bolso, com uma agenda que passa por diversificar a matriz econômica e agregar valor às commodities exportadoras, evoluindo em segmentos como tecnologia, turismo e agronegócio, e atraindo novas empresas. <br><br>Pazolini foi eleito neste domingo (25) com 52% dos votos válidos, contra 48% de Ricardo Ferraço (MDB), atual governador. Delegado de polícia e ex-deputado estadual, ele comandou a capital de 2021 até abril, quando deixou o cargo para disputar o Palácio Anchieta.<br><br>Pazolini tomou posse na prefeitura com um plano para enxugar gastos. O ajuste incluiu uma reforma da previdência municipal que aumentou a contribuição de aposentados e abriu atrito com servidores— um movimento que entendemos como necessário para aquele momento.<br><br>Depois veio a obra: a redução da máquina permitiu que o Plano Vitória nascesse com meta de R$ 1 bilhão, chegando a 2025 prevendo R$ 2,2 bilhões em investimentos em 430 intervenções.<br><br>Em Vitória, de cada R$ 100 que entraram no caixa da prefeitura em 2026, quase R$ 19 estão reservados para obras.<br><br>O Estado, por sua vez, arrecadou R$ 11,2 bilhões entre janeiro e abril de 2026, quase três vezes o orçamento anual de Vitória, e destinou R$ 2,2 bilhões a investimentos, segundo a Secretaria da Fazenda. <br><br>O Fundo Soberano, abastecido com royalties de petróleo, chegou a R$ 2,9 bilhões em outubro. A economia também cresceu: 3,9% em 2025, contra 2,3% do Brasil, segundo o Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) e o IBGE. <br><br>Mas o dinheiro não chegou às famílias no mesmo passo. Em 2024, a renda por pessoa no Espírito Santo estava acima da média nacional. Em 2025, ficou abaixo dela.<br><br>O capixaba teve, em média, R$ 2.249 por mês em 2025, a menor renda por pessoa do Sudeste e R$ 707 a menos que o paulista.<br><br>Parte da explicação está no motor do crescimento: dos R$ 137,6 bilhões em investimentos anunciados no Estado até 2029, 43% estão em petróleo, gás e mineração, segundo o IJSN.<br><br>A reforma tributária, que leva o imposto para onde o produto é consumido, ameaça a arrecadação do estado. <br><br>A Secretaria da Fazenda estimou perda de cerca de 20% do ICMS, algo como R$ 3,5 bilhões por ano. O plano de Pazolini prevê um conselho de transição tributária com as empresas.<br><br>Alguns desafios precisam ser superados. O Espírito Santo aparece em 11º lugar em inovação e em 21º em estrutura de apoio à inovação nos rankings citados no documento. <br><br>As propostas do próximo governador incluem crédito para inovação, polos regionais de tecnologia e sandbox regulatório (regras mais leves, por tempo limitado, para testar novos negócios). <br><br>O foco é aplicar inteligência artificial, robótica e biotecnologia à vocações do Estado, como logística, rochas, café e petróleo.<br><br>O plano quer vender o Espírito Santo como base de produção perto do Rio, de São Paulo, de Minas e da Bahia, com um mecanismo para atrair "operações âncora" dentro das novas regras. <br><br>Para o empresário, o novo governador promete licença aprovada por decurso de prazo: se o órgão não responder no prazo, o pedido vale como aprovado.<br><br>Parte da agenda depende de Brasília. O leilão da ferrovia EF-118, que vai ligar o Estado ao Porto do Açu (RJ), foi empurrado para o primeiro trimestre de 2027 e espera decisão do Tribunal de Contas da União (TCU).<br><br>"O que nós faremos a partir do ano que vem é exatamente trazer essa articulação para dentro do Palácio Anchieta", disse Pazolini, sobre a ferrovia e a duplicação da BR-262.<br><br>O turismo responde por cerca de 8% do PIB capixaba, segundo o plano, que propõe uma marca "Espírito Santo", turismo rural e mais voos internacionais em Vitória.<br><br>O plano ainda promete estradas rurais, energia, internet e barragens, além de apoio para transformar café, frutas e leite em produtos de maior valor.<br><br><strong>O grande desafio do próximo governo </strong><br><br>Entre 2029 e 2032, o ICMS será substituído pelo IBS, um imposto cobrado onde o produto é consumido, e não onde é produzido. <br><br>Como o estado tem mercado consumidor pequeno, a Fazenda estimou perda de cerca de 20% do ICMS, algo como R$ 3,5 bilhões por ano.<br><br>A partir de 2033, nenhum Estado poderá dar desconto de ICMS para atrair empresas, porque o imposto deixa de existir. Esses incentivos foram decisivos para atrair investimentos e novas empresas para o Espírito Santo ao longo dos últimos anos.<br><br>O estado já atravessou um choque parecido. Em 2012, uma resolução do Senado praticamente encerrou o Fundap, incentivo que por décadas atraiu importadoras para o Estado.<br><br>Depois de 2032, a empresa não vai escolher o Espírito Santo pelo incentivo fiscal. Vai escolher pelo porto, pela infraestrutura, pela mão de obra qualificada e pela estabilidade institucional.<br><br>Por isso o caminho é manter os avanços conquistados nos últimos 20 anos, mas sem esquecer de diversificar e sofisticar: tecnologia, turismo, infraestrutura, logística mais eficiente e agregação de valor a produtos commoditizados. <br><br>É essa transformação da matriz econômica que pode transformar os bons indicadores do estado em prosperidade econômica distribuída para todos.</p>