Justiça descobre desvio de R$ 23 milhões para conta pessoal e bloqueia bens de Fernando Cinelli

Decisão também quebra o sigilo bancário do ex-presidente da Apex; movimentações seguem sob análise e auditoria independente.

Por Redação ·

Justiça descobre desvio de R$ 23 milhões para conta pessoal e bloqueia bens de Fernando Cinelli

<p>A crise da Apex Partners ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (18). Segundo comunicado divulgado pela companhia, a Justiça determinou a indisponibilidade dos bens de Fernando Cinelli, ex-presidente da empresa, e a quebra de seu sigilo bancário após analisar documentos relacionados a transferências de recursos para sua conta pessoal.</p><p>De acordo com a Apex, a decisão do juiz Marcos Pereira Sanches registra movimentações estimadas em R$ 5 milhões das contas da ABM Partnership Investimentos e Participações para a conta bancária de Cinelli. Ainda segundo o comunicado, nesta análise inicial não teria sido identificada justificativa jurídica para as transferências.</p><p>O número exige uma distinção importante. Os cerca de R$ 5 milhões são o valor que a Apex afirma constar da decisão judicial. Já o montante superior a R$ 23 milhões decorre de uma apuração interna preliminar conduzida pela própria companhia.</p><p>Segundo a Apex, outras movimentações destinadas a contas de titularidade do ex-presidente elevaram o valor total identificado internamente para mais de R$ 23 milhões. Essa cifra ainda está sob análise e poderá ser modificada com o avanço da auditoria independente.</p><p>A empresa afirma também que, nas verificações realizadas até agora, não encontrou relação entre essas transferências e recursos diretamente aportados por investidores em projetos imobiliários ou fundos de investimento. Trata-se, neste momento, de uma conclusão da própria companhia, ainda sujeita ao aprofundamento das apurações.</p><p>A indisponibilidade patrimonial tem caráter cautelar. Segundo o comunicado da Apex, a medida foi concedida diante de indícios das transferências e do risco de dissipação de patrimônio. A decisão não representa condenação definitiva e permanece sujeita ao contraditório e à ampla defesa.</p><p>A companhia informou ainda que a Justiça determinou medidas para preservação de documentos, fornecimento de informações e aprofundamento dos trabalhos de auditoria.</p><p>Até esta publicação, não foi localizada manifestação pública da defesa de Fernando Cinelli especificamente sobre a nova decisão e os valores apresentados nesta terça-feira.</p><p>O afastamento do executivo foi deliberado pelos demais sócios em assembleia realizada em 5 de agosto e comunicado publicamente no dia seguinte. Eduardo Siqueira também deixou a diretoria financeira após a identificação, pela própria Apex, de inconsistências nas contas do grupo.</p><p>O caso adquiriu dimensão relevante para o ambiente empresarial capixaba. O processo envolvendo a Apex alcança 178 empresas, enquanto o passivo preliminar apresentado gira em torno de R$ 985,6 milhões. O Ministério Público do Espírito Santo passou a acompanhar formalmente o processo e pediu fiscalização sobre a origem das dívidas, movimentações entre empresas do grupo e destino dos recursos.</p><p>O MPES pediu ainda que seja reconstruída a evolução do endividamento e que operações sejam analisadas individualmente. O órgão ressalta que sua atuação, neste momento, não representa conclusão sobre responsabilidade de Cinelli ou de qualquer outra pessoa envolvida na crise.</p><p>A extensão das perdas, a origem das inconsistências e a eventual responsabilidade dos antigos administradores dependerão agora dos resultados da auditoria, da análise dos documentos financeiros e do andamento dos processos judiciais.</p>