Investimentos e eleições: decisões no calor do momento podem custar caro
Reeleição de Lula provocou forte ajuste em bolsa, dólar e juros; movimentos opostos entre os ativos mostram por que diversificação reduz o impacto de choques sobre o patrimônio
Por Lorena Varejão ·
<p>O resultado do segundo turno movimentou todas as classes de ativos ao mesmo tempo e cada uma reagiu de um jeito. Entender esses movimentos ajuda a ver por que a diversificação existe e por que decisões no calor do momento costumam sair caras.</p><p>Com a reeleição do presidente Lula no domingo (25), o mercado passou por um forte ajuste. Após o primeiro turno, parte dos investidores havia apostado em mudanças na condução da política econômica: a bolsa subiu 7,7% em um único dia, o dólar caiu e os juros recuaram. Como o resultado das urnas foi diferente do que estava nos preços, esse movimento foi desfeito de uma vez na segunda-feira (26), e bolsa, dólar e juros se moveram juntos, cada um em uma direção.</p><p>Na bolsa, o Ibovespa caiu 13,88%, a maior queda diária desde 2020. A queda acionou o circuit breaker, um mecanismo de segurança da B3 que interrompe as negociações quando o índice cai 10%, para que os investidores tenham tempo de digerir as informações antes de continuar operando.</p><p>No sentido oposto, o dólar subiu 8,36% e fechou a R$ 5,41, sua maior alta diária desde 2003, valorizando quem tinha investimentos em dólar e no exterior. Na terça-feira, os dois movimentos perderam força: a bolsa recuou 0,51% e o dólar caiu para cerca de R$ 5,35.</p><p>Na renda fixa, as aplicações pós-fixadas, atreladas ao CDI, seguiram rendendo normalmente. Já os títulos prefixados e os atrelados à inflação tiveram queda de preço com a alta dos juros, efeito conhecido como marcação a mercado. Essa oscilação só vira perda para quem vende antes do vencimento: quem leva o título até o fim recebe a taxa contratada, e quem investe agora encontra taxas próximas de IPCA + 8% ao ano, níveis historicamente altos.</p><p>Analisando esse cenário, percebemos que decisões tomadas no calor do momento costumam custar caro. Quem aumentou a posição em ações entre o primeiro e o segundo turno, apostando no resultado, sentiu a queda com mais força. E o mesmo erro pode se repetir agora no sentido inverso, ao vender depois da queda ou comprar dólar depois da alta.</p><p>Ajustes na carteira de investimentos fazem sentido quando há mudança estrutural no cenário ou nos objetivos, e os sinais que merecem acompanhamento nos próximos meses são a política fiscal, a dívida pública, os juros e o câmbio.</p><p>Uma carteira construída de acordo com objetivos, prazos e perfil, respeitando a porcentagem de cada classe sem concentrar demais em nenhuma, foi feita para atravessar diferentes governos e ciclos da economia.</p><p>Na mesma semana em que a bolsa caiu, o dólar subiu e o CDI seguiu rendendo, e é exatamente esse equilíbrio que protege o patrimônio. Patrimônio se constrói com disciplina e consistência ao longo dos anos, e semanas como esta mostram, na prática, o valor de manter essa estratégia.</p>