Bolsonaro ou Lula? O que os últimos governos ensinaram sobre investimentos

Bolsa e renda fixa reagiram de formas diferentes nos últimos governos e mostram como juros, inflação e cenário externo pesam nos investimentos.

Por Lorena Verejão ·

Bolsonaro ou Lula? O que os últimos governos ensinaram sobre investimentos

<p>Bolsa, renda fixa e juros tiveram comportamentos diferentes nos últimos ciclos eleitorais. Com o segundo turno se aproximando, os números ajudam a entender como as eleições movimentam as expectativas e o patrimônio dos brasileiros.</p><p>Um levantamento da consultoria Elos Ayta trouxe números importantes. Durante o governo Jair Bolsonaro, entre 2019 e 2022, o Ibovespa acumulou valorização de 24,9%, enquanto o CDI, referência da renda fixa, rendeu 27,8%.</p><p>Já no governo Lula, entre janeiro de 2023 e setembro de 2026, a Bolsa avançou aproximadamente 70% e o CDI acumulou 57,5%. São resultados nominais, de períodos diferentes, que não podem ser atribuídos exclusivamente a quem ocupava a Presidência.</p><p>E por que essa diferença? Durante o governo Bolsonaro, a Selic chegou à mínima histórica de 2% ao ano, em meio à pandemia. Os juros baixos, porém, não impulsionaram a Bolsa como se poderia esperar, diante de uma economia em crise e da queda nos lucros de empresas. Depois, a Selic subiu rapidamente, chegando a 13,75% em 2022, para conter a inflação.</p><p>No governo Lula, os juros permaneceram elevados por mais tempo e chegaram a 15%, favorecendo as aplicações pós-fixadas. Ainda assim, a Bolsa superou o CDI, influenciada pelos preços inicialmente descontados das ações, pelo fluxo de capital estrangeiro e pelo cenário internacional. Petrobras e Vale também tiveram participação expressiva na valorização do índice em 2026.</p><p>Além das decisões econômicas internas, fatores como o preço das commodities, os resultados das empresas, o cenário internacional e o valor das ações no momento da compra podem pesar tanto quanto, ou mais, que a orientação política do governo.</p><p>Agora, com o segundo turno de 2026 se aproximando, o mercado voltou a reagir às expectativas. No primeiro pregão após a votação, o Ibovespa subiu 7,7%, o dólar caiu e os juros futuros recuaram. Parte dos investidores passou a apostar em mudanças na condução da política econômica, especialmente nas contas públicas.</p><p>Mas vale ressaltar, que expectativa não é garantia, se o resultado frustrar o mercado, parte da alta pode ser devolvida e se as expectativas forem confirmadas, parte dos ganhos pode já estar incorporada aos preços. Independentemente do resultado, inflação, dívida pública e juros continuarão influenciando os investimentos.</p><p>Os números mostram que não existe um único investimento vencedor simplesmente porque determinado presidente está no poder.</p><p>O cenário econômico muda, os ciclos de juros se alternam e cada classe de ativos reage de maneira diferente. Por isso, mais importante do que tentar antecipar resultados eleitorais é definir a porcentagem que será destinado a cada classe e revisar essa distribuição periodicamente.</p><p>Diversificar entre diferentes indexadores de renda fixa, setores de ações e ativos internacionais ajuda a construir uma carteira preparada para atravessar diferentes governos e momentos da economia.</p>