Investimento de R$ 7 milhões vai transformar lixo de Vila Velha em gás verde
Biometano produzido a partir de resíduos urbanos começará a abastecer a rede de gás canalizado do Espírito Santo em 2028.
Por João Flávio Figueiredo ·
<p>O lixo urbano de Vila Velha vai virar combustível na rede de gás canalizado do Espírito Santo. A ES Gás assinou contrato com a GNR Vila Velha para receber, em sua malha de distribuição, o biometano produzido na Central de Tratamento de Resíduos Vila Velha (CTRVV). O início do fornecimento está previsto para 2028.<br><br>Para viabilizar a conexão, a distribuidora vai investir R$ 7 milhões no ramal de interligação e na estação de recebimento. O aporte foi aprovado pela Agência de Regulação dos Serviços Públicos do Espírito Santo (ARSP).<br><br>A estrutura será dimensionada para absorver toda a produção prevista da unidade, estimada em cerca de 32 mil m³ por dia.<br><br>A GNR Vila Velha é uma parceria entre o Grupo Lara, que atua na gestão integrada de resíduos sólidos, e a MDC Energia, produtora e comercializadora de biometano.<br><br>O contrato é o segundo de injeção de biometano firmado pela ES Gás. Com o volume da nova planta somado aos demais acordos já celebrados, a companhia projeta que 10% de todo o gás vendido no mercado cativo virá de fontes renováveis.<br><br>Raphael Pereira, o diretor-presidente da ES Gás, trata o acordo como um marco para a descarbonização da matriz energética do estado. "Estamos estruturando uma rede preparada para acompanhar a expansão da produção de energia renovável, fortalecendo a segurança energética, ampliando as alternativas sustentáveis para os consumidores e contribuindo para o desenvolvimento econômico do estado", disse.<br><br>O biometano é obtido a partir do processamento de resíduos orgânicos e tem a mesma composição química do gás natural de origem fóssil. Por isso, pode ser transportado pela infraestrutura de dutos que já existe.<br><br>Para Paulo Baraona, o presidente da Findes, o público mais direto são as médias e grandes indústrias capixabas. "Para o setor industrial, isso significa contar com mais uma alternativa energética para reduzir as emissões dos processos produtivos, diversificar as fontes de energia e avançar rumo à descarbonização da produção. Para nós esse movimento fortalece a competitividade da indústria capixaba", disse.<br><br>A primeira usina contratada pela ES Gás, em Cariacica, deve começar a injetar biometano na rede ainda em 2026. A de Vila Velha entra na sequência, a partir de 2028.</p>