Indústria do Espírito Santo cresce 20,2% no semestre, maior alta do país
Produção capixaba avançou mais de 13 vezes a média nacional, de 1,5%; Estado também havia liderado o crescimento industrial em 2025.
Por Redação ·
<p>A produção industrial do Espírito Santo cresceu 20,2% no primeiro semestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado, e registrou o maior avanço entre os 18 locais pesquisados pelo IBGE. No Brasil, a indústria avançou 1,5% no período.</p><p>A distância para os demais mercados industriais foi expressiva. Pernambuco apareceu na segunda posição, com crescimento de 10,9%, pouco mais da metade da taxa capixaba. O Rio de Janeiro avançou 7,5%, seguido por Mato Grosso do Sul, com 4,5%, e Mato Grosso, com 4,1%.</p><p>Na prática, a indústria do Espírito Santo cresceu mais de 13 vezes o ritmo médio nacional nos seis primeiros meses do ano.</p><p>A composição disponível até maio, porém, mostra que a expansão não ocorre de maneira uniforme entre os segmentos industriais. Nos cinco primeiros meses de 2026, quando a produção capixaba acumulava alta de 21,9%, a indústria extrativa crescia 34,5%, enquanto a indústria de transformação recuava 2,3%.</p><p>O desempenho das extrativas estava associado ao aumento da produção de petróleo, gás natural e minério de ferro pelotizado. Na transformação, somente a metalurgia apresentava crescimento no acumulado até maio, de 1,6%. A fabricação de alimentos recuava 9,5%, celulose e papel caíam 7,6% e produtos de minerais não metálicos registravam retração de 0,1%.</p><p>Esse recorte é relevante para dimensionar o resultado capixaba. A liderança nacional representa uma expansão expressiva da produção física industrial, mas está concentrada principalmente em atividades ligadas às commodities minerais e energéticas, e não em um crescimento generalizado de toda a indústria de transformação.</p><p><strong>Espírito Santo também lidera comparação anual de junho</strong></p><p>O Espírito Santo voltou a ocupar a primeira posição no recorte de junho. Frente ao mesmo mês de 2025, a produção industrial capixaba cresceu 12,2%, maior avanço entre os locais pesquisados.</p><p>O Rio Grande do Sul apareceu em seguida, com alta de 10,5%, enquanto Rio de Janeiro cresceu 6,3% e Mato Grosso, 6,1%. No outro extremo, São Paulo, maior parque industrial brasileiro, recuou 0,9%, enquanto Minas Gerais caiu 2,6%. A indústria brasileira avançou 1,7% nessa comparação.</p><p>O IBGE observa que junho de 2026 teve um dia útil a mais do que o mesmo mês de 2025, fator que deve ser considerado na leitura da comparação interanual.</p><p>Na passagem de maio para junho, cenário diferente: com ajuste sazonal, a indústria capixaba recuou 3,4%, enquanto a produção nacional caiu 1,8%. Doze dos 15 locais avaliados nessa base de comparação tiveram retração.</p><p>A queda mensal indica perda de ritmo na margem, mas não altera o quadro do semestre: o nível de produção acumulado pela indústria capixaba entre janeiro e junho permaneceu 20,2% acima do registrado no mesmo período de 2025.</p><p><strong>Liderança começou em 2025</strong></p><p>O resultado de 2026 dá continuidade ao desempenho registrado no ano passado. Em 2025, a produção industrial do Espírito Santo cresceu 11,6%, maior avanço entre os 18 locais pesquisados pelo IBGE, diante de alta de apenas 0,6% da indústria brasileira. Rio de Janeiro ficou em segundo lugar, com 5,1%, e Santa Catarina avançou 3,2%.</p><p>Também naquele ano, o crescimento esteve concentrado nas atividades extrativas. O segmento avançou 18,3%, puxado por minério de ferro pelotizado, petróleo e gás natural, enquanto a indústria de transformação capixaba recuou 0,8%.</p><p>A sequência coloca o Espírito Santo novamente na dianteira da produção industrial brasileira em 2026. Ao mesmo tempo, a diferença entre o desempenho das extrativas e da transformação mostra que o próximo passo para avaliar a qualidade desse crescimento será acompanhar se a expansão passa a alcançar um conjunto maior de atividades industriais.</p>