Vai faltar imóvel? Norte do Espírito Santo é a bola da vez com nova indústria e portos
Aracruz e Ibiraçu vivem uma nova corrida imobiliária impulsionada pela fábrica da GWM, novos portos, expansão logística e bilhões de reais em investimentos previstos para a região.
Por Luiz Stanger ·
<p>Na coluna de hoje, o vetor norte. O Espírito Santo virou a bola da vez, e o Norte é o centro do tabuleiro. O evento que crava essa frase aconteceu na última terça-feira, com o lançamento da pedra fundamental e a sanção da lei estadual autorizando a doação da área onde será instalado o empreendimento da GWM. A chinesa vai erguer uma fábrica em um terreno de 1,74 milhão de metros quadrados, com capacidade para até 200 mil veículos por ano e potencial de até 10 mil empregos diretos e indiretos. </p><p>É quatro vezes o tamanho da primeira fábrica da marca no Brasil, em São Paulo, e será a maior operação da montadora fora da China. Vai produzir os modelos H6 e Ora, dentro de um plano de R$ 10 bilhões que a GWM anunciou para o país. Isso não é uma fábrica a mais. É uma nova indústria nascendo no Estado. É o Estado do Espírito Santo alcançando o futuro. Para além da pujança de mercados como exportação de mármore e granito ou minério, vamos agregar valor numa cadeia industrial e abastecer o mundo. Sim, o mundo.</p><p>A GWM se instala colada à Suzano, ao Portocel e ao porto da Imetame, porque o complexo já estava se formando. O Porto da Imetame, com R$ 2,7 bilhões de investimento e calado para os maiores navios, começa a operar agora, e recebeu o melhor atestado possível: a Hanseatic Global Terminals comprou 50% do terminal. Quando um player global paga para entrar, a tese deixou de ser aposta. </p><p>O Portocel, ao lado, fechou 2025 com o maior volume da sua história, 7,8 milhões de toneladas, quer dobrar de tamanho até 2035 e já recebe carga que vai muito além da celulose, incluindo um lote de 5.300 veículos chineses em uma única manhã. Some a nova fábrica de papel da Suzano, de R$ 650 milhões, a misturadora de fertilizantes da Adufértil, de R$ 65 milhões, e a BR-101 em obras, com R$ 10,3 bilhões previstos e mais de R$ 370 milhões só nos contornos de Ibiraçu e Fundão. Criamos um polo.</p><p>Agora conecte isso ao que interessa a quem lê esta coluna. São até 10 mil pessoas que vão precisar morar em algum lugar, e a área de recursos humanos da GWM já saiu à procura de imóveis para acomodar profissionais. A demanda não vai chegar em 2029, quando a fábrica abrir. Ela já bateu na porta. Vai faltar imóvel?</p><p>Eu, que carrego a frase “menino que não anda não vende picolé”, fui ver de perto. Escolhi seguir pelo litoral e peguei o novo Contorno de Jacaraípe, com três faixas por sentido, que tira o carro do sufoco da orla, dos sinais e do fluxo intenso da ES-010 e leva direto a Nova Almeida. E a lógica não para ali: a segunda etapa, ligando Nova Almeida a Aracruz, já foi licitada. Dali pra frente, obras a pleno vapor de recapeamento da estrada. </p><p>Em Ibiraçu, há lote saindo por menos de mil reais o metro. No contorno de Aracruz, o valor gira na casa dos mil, e em bairros novos chega a dois mil. No centro de Aracruz, já se registram vendas na casa dos três mil. Repare no espaço entre esses números, no mesmo vetor, a poucos quilômetros de distância. Esse espaço é o mapa de onde ainda dá para entrar cedo. Aracruz deve receber R$ 6,66 bilhões em investimentos até 2029, segundo o Instituto Jones dos Santos Neves. Como diriam os capixabas em duas palavras: “Aracruz vai bombar”.</p><p>Investidor é aquele que chega antes, e justamente investe, acredita e banca compras, sejam elas de empreendimentos, lotes ou terrenos. O investidor erra quando compra o que já subiu. O mote aqui não é empreendimento x ou y, temos algumas boas opções, sendo que várias delas com 100% de vendas ou em ritmo acelerado. A entrada certa é no vetor que leva até o polo. Quem comprou lote no norte antes desta terça-feira comprou barato o que a fábrica, o porto e a estrada vão reprecificar. </p><p>Quem entra agora ainda tem janela, porque a obra leva anos e o preço corre atrás da entrega, não na frente. Mas sem euforia, pois o ciclo do mercado imobiliário é longo, de 3, 5, 10 anos ou até mais. Eu mesmo assisti um loteamento ser implantado em Aracruz, onde antes era uma fazenda, e acompanhei desde 2013. Hoje, passando e vendo casas, prédios, imóveis comerciais e ruas asfaltadas, fico impressionado. Nem todo lote vira ouro, e comprar torcendo não é investir.</p><p>Na maioria das vezes, o movimento só é percebido quando o local vira manchete, destaque nas mídias. Escrevendo para veículos de comunicação desde 2020, posso declarar que sempre dei furos e indiquei vetores antes de eles acontecerem. Dessa vez foi no eixo norte, Aracruz, cidade que visito de perto desde 2013, a 90 km da capital, com opções diversas de deslocamento e muita demanda contratada. A certeza é que vai faltar imóvel. Chegue primeiro, posicione-se perante a infraestrutura e beba água limpa.</p>