Implantação da GWM em Aracruz pode adicionar R$ 3,63 bilhões ao PIB capixaba
Projeção adota um CAPEX de R$ 5,8 bilhões e considera apenas obras, serviços, equipamentos e fornecedores.
Por Redação ·
<p>A implantação da fábrica da GWM em Aracruz pode adicionar R$ 3,63 bilhões ao PIB do Espírito Santo antes do início da produção de veículos. A projeção também aponta movimentação próxima de R$ 10 bilhões em Valor Bruto da Produção e geração de R$ 174,09 milhões em ICMS durante a construção e a montagem da unidade.</p><p>O cálculo foi elaborado pelo economista Orlando Caliman a partir das matrizes de insumo-produto do Brasil e do Espírito Santo. A modelagem adota um CAPEX de R$ 5,8 bilhões e considera os efeitos das obras civis, da instalação de equipamentos, da contratação de serviços, da aquisição de insumos e da demanda gerada sobre fornecedores.</p><p>O valor de R$ 5,8 bilhões deve ser entendido como a premissa utilizada na projeção. No lançamento da pedra fundamental, em 30 de junho, o Governo do Espírito Santo informou que o investimento será superior a US$ 1 bilhão, mas não apresentou a composição detalhada do aporte em reais. Estimativas divulgadas anteriormente apontavam R$ 4,6 bilhões.</p><p>Essa diferença é relevante porque o impacto econômico projetado varia conforme o volume efetivamente investido. Em uma simulação anterior, baseada em um aporte de R$ 4,6 bilhões, Caliman havia estimado acréscimo de aproximadamente R$ 2,9 bilhões ao PIB capixaba.</p><h3>Implantação deve gerar R$ 493,5 milhões em tributos</h3><p>A projeção mais recente calcula que a implantação da fábrica poderá gerar R$ 493,5 milhões em tributos. Desse total, R$ 174,09 milhões correspondem ao ICMS, receita vinculada aos Estados.</p><p>O cálculo inclui ainda R$ 57,32 milhões em imposto de importação, R$ 149,37 milhões em IPI e R$ 112,77 milhões em outros tributos. Como parte dessa arrecadação pertence à União, os R$ 493,5 milhões não devem ser interpretados como receita destinada integralmente ao caixa do Espírito Santo.</p><p>A fase de implantação também pode gerar R$ 3,13 bilhões em Valor Adicionado Bruto, indicador que mede a riqueza agregada pelas atividades produtivas, além de R$ 1,44 bilhão em salários e contribuições.</p><p>Na prática, a construção deverá ampliar a demanda por serviços de engenharia, estruturas metálicas, concreto, aço, energia, transporte, armazenagem e montagem industrial. O tamanho do impacto retido no Espírito Santo dependerá da participação de empresas capixabas nesses contratos.</p><p>Em fevereiro, a Secretaria de Desenvolvimento estimava entre 1.500 e 3.500 postos de trabalho durante a implantação, principalmente na construção civil. O governo também projetava consumo de 200 mil a 350 mil toneladas de concreto e de 40 mil a 70 mil toneladas de aço nessa etapa.</p><h3>Produção de veículos ficou fora da projeção</h3><p>Os R$ 3,63 bilhões não representam um crescimento anual permanente do PIB estadual. O número corresponde ao impacto acumulado estimado para a fase de implantação da fábrica.</p><p>O cálculo divulgado também não inclui os efeitos da futura produção de veículos, da compra de componentes, da distribuição nacional, das exportações ou da instalação de fornecedores ligados à cadeia automotiva.</p><p>A fábrica será construída em uma área de aproximadamente 1,7 milhão de metros quadrados, às margens da ES-257, em Aracruz. A inauguração está prevista para 2029. Em plena capacidade, a unidade poderá produzir mais de 200 mil veículos por ano.</p><p>Segundo os dados divulgados pelo Governo do Estado no lançamento do projeto, a planta poderá gerar mais de 9 mil empregos diretos. Considerados fornecedores, prestadores de serviços e atividades associadas, a estimativa ultrapassa 15 mil oportunidades de trabalho.</p><p>A unidade deverá produzir veículos com diferentes tecnologias e atender, além do mercado brasileiro, países da América Latina. O impacto econômico dessa operação ainda não faz parte da projeção de R$ 3,63 bilhões.</p><p>A capacidade de transformar a fábrica em uma cadeia industrial mais ampla dependerá da contratação de fornecedores nacionais, da participação de empresas capixabas e do grau de nacionalização dos componentes. É nessa etapa, posterior à construção, que será possível medir o efeito mais permanente da GWM sobre a indústria, a renda e a arrecadação do Espírito Santo.</p>