Grupo RDG acelera expansão e mira receita de R$ 1,5 bilhão

Com R$ 350 milhões investidos em nova fábrica na Serra, grupo projeta elevar a receita de R$ 1,2 bilhão para R$ 1,5 bilhão em 2026 e dobrar a capacidade industrial.

Por Redação ·

Grupo RDG acelera expansão e mira receita de R$ 1,5 bilhão

<p>A inauguração da nova fábrica da Perfilados Rio Doce, no Contorno, na Serra, será um dos marcos mais importantes de um ciclo de expansão do Grupo RDG, um dos maiores conglomerados do Espírito Santo. Depois de faturar R$ 1,2 bilhão em 2025, suas duas principais empresas, RDG e Perfilados Rio Doce, projetam alcançar R$ 1,5 bilhão em 2026.</p><p>A estratégia de crescimento combina maior capacidade industrial, produtos de maior valor agregado, expansão da rede de distribuição, novos serviços para a construção civil e até investimentos logísticos.</p><p>No centro dessa expansão está a terceira fábrica da Perfilados Rio Doce, que será inaugurada oficialmente no dia 17 de setembro. O empreendimento recebeu R$ 350 milhões em recursos próprios e ocupa um terreno de 150 mil metros quadrados, com 62 mil metros quadrados de área construída.</p><p>Embora a inauguração aconteça agora, a operação já começou. A fábrica estreia com um turno completo, enquanto o segundo será implantado gradualmente, de acordo com a evolução das vendas de cada linha.</p><p>Com as três fábricas – duas na Serra e uma em Linhares –, a capacidade instalada da Perfilados Rio Doce poderá sair das atuais 20 mil toneladas para cerca de 40 mil toneladas de aço por mês.</p><p>A nova unidade também amplia em até 25% o portfólio da companhia. A fábrica foi equipada para produzir tubos com até oito polegadas de diâmetro, chapas de alta resistência e maior espessura, perfis especiais, chapas expandidas e produtos destinados à construção civil que antes eram adquiridos de terceiros.</p><p>Outro diferencial será a galvanização a fogo, serviço ainda pouco disponível para a indústria metalmecânica capixaba. O processo agrega uma camada de proteção contra corrosão aos produtos de aço e permite à Perfilados avançar sobre mercados de maior valor agregado.</p><p>Mesmo após a inauguração, os aportes na unidade vão continuar. Duas máquinas já foram adquiridas e devem ser instaladas até o fim deste ano.</p><p>“Essa fábrica foi feita desse tamanho para a gente ficar um tempo sem precisar de novas obras. Mas estamos sempre comprando máquinas. Constantemente surge a necessidade de um novo equipamento para atender determinado segmento”, explicou o Ronaldo Campo, fundador do Grupo RDG.</p><p>O fato de a fábrica da Perfilados ter sido construída com capital próprio permite ao grupo conduzir o aumento de produção sem a necessidade de ocupar rapidamente toda a capacidade instalada.</p><p>“A fábrica foi feita 100% com recursos próprios. Não precisamos ficar correndo, baixando preço e estragando o mercado. Vamos avançar de acordo com o mercado: ele cresce, e a gente cresce junto”, afirmou Campo.</p><p>O modelo segue uma política adotada pelo grupo ao longo de sua trajetória: reinvestir no próprio negócio os recursos gerados pelas operações.</p><p>“A gente investe o lucro todo no próprio negócio. Nesse segmento, quem não investe desaparece. O mercado não perdoa a empresa que deixa de investir”, disse Ronaldo Campo.</p><p><strong>Grupo RDG quer manter toda a produção no Espírito Santo</strong></p><p>Enquanto a produção continuará concentrada no Espírito Santo, a expansão comercial acontecerá em diferentes regiões do país. A Perfilados Rio Doce já conta com nove escritórios comerciais, incluindo operações em mercados como São Paulo, Bahia, Pernambuco, Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso.</p><p>Enquanto a Perfilados vende no atacado diretamente para clientes e distribuidores de todo o Brasil, a RDG Aços atua principalmente no varejo e no atendimento ao consumidor final dentro de um raio de 500 km.</p><p>A integração entre as empresas é parte importante da estratégia. A RDG é hoje o maior cliente da Perfilados e aproximadamente metade dos produtos comercializados pela distribuidora é fabricada pela própria empresa do grupo. O restante é adquirido de outras siderúrgicas, permitindo à RDG oferecer uma linha mais ampla.</p><p>A distribuidora também opera uma frota própria de quase 100 caminhões, com entregas realizadas, em média, entre dois e três dias dentro de sua área de atuação.</p><p>“Com relação à indústria, não pretendemos abrir fábricas fora do Espírito Santo. As três unidades estão aqui. O projeto agora é aumentar a rede de distribuição da RDG”, antecipou Campo.</p><p>Segundo o empresário, a proximidade com a ArcelorMittal, principal fornecedora de matéria-prima do grupo e os incentivos estaduais do Espírito Santo ajudam a manter a competitividade da produção local.</p><p><strong>Centralfer avança sobre serviços para obras</strong></p><p>Outra empresa do Grupo RDG em expansão é a Centralfer, especializada no corte e na dobra de vergalhões. A companhia está ampliando sua estrutura e recebeu máquinas importadas para avançar na industrialização do aço destinado à construção civil.</p><p>A proposta é entregar o material cortado, dobrado e já armado diretamente no canteiro de obras. Com isso, parte do trabalho que antes era realizado dentro das próprias construções passa a ser executada industrialmente.</p><p>O serviço também responde a uma dificuldade estrutural do setor: a escassez de mão de obra. Para o Grupo RDG, a industrialização pode reduzir etapas, desperdícios e tempo de execução nos projetos dos clientes.</p><p>Apesar desse movimento, Campo afirma que o mercado metalmecânico continua sendo o principal destino dos produtos da RDG. A construção civil figura entre os principais consumidores apresenta um ritmo de crescimento mais moderado.</p><p><strong>Grupo quer chegar a 300 mil metros quadrados de galpões logísticos</strong></p><p>A expansão do grupo empresarial também avança para além do aço. Por meio da Campo Log, Ronaldo Campo vem ampliando os investimentos em empreendimentos logísticos destinados à locação.</p><p>O grupo já possui dois complexos em funcionamento e desenvolve outros dois projetos: um em Viana e outro na Rodovia do Contorno, na Serra, ao lado da nova indústria da Perfilados.</p><p>Quando os projetos forem concluídos, a Campo Log deverá se aproximar de 300 mil metros quadrados de área bruta locável. Os galpões são construídos especificamente para operações logísticas e locados para terceiros.</p><p>O grupo também investiu em geração própria de energia. Segundo Campo, uma das estruturas possui mais de 12 mil painéis solares, a maior usina em telhado do Espírito Santo.</p><p>Com a nova fábrica, a ampliação da distribuição, a industrialização de serviços para a construção e o avanço dos imóveis logísticos, o crescimento projetado para 2026 não representa apenas a venda de mais aço. É uma estratégia para controlar uma parcela maior da cadeia, diversificar receitas e sustentar a expansão sem depender de capital de terceiros.</p><p>“Temos outros projetos em análise que ainda não podemos divulgar. Mas a empresa não vai parar de investir”, afirmou Ronaldo Campo.</p>