Secagem de café com gás: teste em Linhares quase zera gosto de fumaça
Projeto de mais de R$ 1 milhão acompanhou cerca de 9,4 mil sacas de conilon e reduziu de 27% para 1% a incidência de notas de fumaça nas amostras analisadas.
Por Redação ·
<p>Um teste realizado em uma fazenda de Linhares apontou ganho potencial de 4,15% no rendimento da secagem do café conilon com gás natural, na comparação com o processo a lenha. O resultado ainda é preliminar e faz parte de um projeto de Pesquisa e Desenvolvimento de mais de R$ 1 milhão.</p><p>O experimento foi realizado na Fazenda Chapadão durante a safra de 2026. Entre maio e agosto, cerca de 9,4 mil sacas de café foram acompanhadas no projeto, que colocou em operação três secadores abastecidos com gás natural e outros três a lenha.</p><p>Além do rendimento, o teste encontrou diferença na qualidade do produto. Nas análises realizadas pela JDE Peet's, a incidência de notas de fumaça caiu de 27% para 1% entre as amostras submetidas à secagem com gás natural. Do total analisado, 93% alcançaram classificação sensorial Neutro ou superior.</p><p>O projeto também monitora temperatura, consumo de energia, tempo de secagem e características do café. O objetivo é verificar se o maior controle térmico proporcionado pelo gás pode gerar ganhos de produtividade e qualidade que compensem os custos necessários para adoção da tecnologia.</p><p>A pesquisa reúne Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV), ES Gás, Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), JDE Peet's e Base27, com aprovação e acompanhamento da Agência de Regulação de Serviços Públicos do Espírito Santo (ARSP).</p><p>Os primeiros resultados foram apresentados em agosto, durante o Vitória Coffee Summit, em Vitória. O estudo tem duração prevista de 12 meses e deverá avançar para outras propriedades nas regiões de Linhares e São Mateus.</p><p>A ampliação será decisiva para testar se o ganho de 4,15% observado no projeto pode ser reproduzido em diferentes propriedades e condições de produção.</p><p>Para a cafeicultura capixaba, o principal ponto econômico ainda está em aberto: saber se o ganho de rendimento e qualidade compensa o custo de implantação e operação do sistema a gás em escala comercial. Essa resposta dependerá da conclusão do estudo.</p>