Gado supera população em 34 dos 78 municípios capixabas

Rebanho capixaba soma 2,16 milhões de cabeças; em Mucurici, são quase 14 bovinos por morador, segundo o IBGE.

Por Redação ·

Gado supera população em 34 dos 78 municípios capixabas

<p>Em 34 dos 78 municípios do Espírito Santo, há mais bois e vacas do que habitantes. O Estado fechou 2025 com 2.164.541 bovinos, segundo o IBGE, para uma população estimada em 4,15 milhões de pessoas.</p><p>Na média estadual, é um animal para cada dois moradores. No interior, a conta se inverte: nesses municípios, a pecuária ocupa a maior parte do território e sustenta a renda rural. Isso torna a economia local mais exposta ao preço do boi e à demanda dos frigoríficos.</p><p><strong>Onde o gado supera a população</strong></p><p>O Norte capixaba concentra as maiores proporções:</p><ul><li><p>Mucurici: 78.096 bovinos para 5.667 moradores, quase 14 por habitante</p></li><li><p>Ecoporanga: 222.707 cabeças para 22.554 moradores, cerca de 10 por habitante. É também o maior rebanho do Estado em números absolutos</p></li><li><p>Ponto Belo: 48.252 bovinos para 6.640 moradores, pouco mais de 7 por habitante</p></li><li><p>Montanha: 93.907 cabeças, 4,7 por habitante</p></li><li><p>Presidente Kennedy: 62.159 animais, cerca de 3,9 por habitante</p></li><li><p>Barra de São Francisco, Nova Venécia, Alegre, Mimoso do Sul, Pinheiros e Baixo Guandu também estão entre os 34 municípios.</p></li></ul><p>O outro extremo fica na Grande Vitória. Os sete municípios metropolitanos somam 85.079 bovinos para mais de 2 milhões de habitantes. Vitória tem apenas 119 animais, o menor rebanho do Estado.</p><p><strong>Exportação cresce mais em valor que em volume</strong></p><p>As vendas externas de carne bovina capixaba somaram US$ 37,5 milhões em 2025, alta de 38% em valor e de 17% em volume.</p><p>A diferença entre os dois percentuais indica que o preço médio por tonelada exportada subiu cerca de 18% no período. O produtor e o frigorífico venderam mais e receberam mais por quilo.</p><p>O peso da carne na pauta ainda é pequeno: 1,1% das exportações do agronegócio estadual. A trajetória, porém, abre espaço para que os frigoríficos capixabas dependam menos do mercado doméstico.</p><p><strong>O que está em jogo</strong></p><p>A agropecuária capixaba movimentou R$ 31,28 bilhões em Valor Bruto da Produção (VBP, a soma do faturamento das atividades no campo) em 2024, segundo o Incaper e a Seag.</p><p>Os produtos de origem animal responderam por 16,68% desse total, o equivalente a cerca de R$ 5,2 bilhões. Carne bovina e leite estão entre os principais itens.</p><p>Para os municípios do Norte e Noroeste, o rebanho movimenta uma cadeia que inclui criação, laticínios, frigoríficos, transporte e comércio. A Seag aponta a bovinocultura como uma das principais fontes de renda das famílias rurais dessas regiões.</p><p>Para quem investe ou opera no setor, a combinação de rebanho em queda, abate em alta e exportação com preço melhor torna a disponibilidade de animais nos próximos anos a variável a acompanhar.</p>