Vitória registra 166 furtos de cabos e metais em 2026; crime eleva custo da infraestrutura urbana

Capital reduziu esse tipo de crime em 38% entre 2024 e 2025, mas continua gastando muito com reposição.

Por Redação ·

Vitória registra 166 furtos de cabos e metais em 2026; crime eleva custo da infraestrutura urbana

<p>Vitória registrava 166 furtos de cabos de cobre e outros materiais metálicos em 2026 no balanço divulgado pela prefeitura em 5 de agosto. Embora as ocorrências tenham recuado nos últimos anos, o crime continua impondo um custo recorrente à infraestrutura da capital: além do material levado, há despesas para recompor redes, reparar semáforos e adotar equipamentos menos atraentes para revenda.</p><p>O problema voltou à cena nesta semana. Na quarta-feira, 26 de agosto, dois homens foram presos em flagrante enquanto tentavam cortar cabos de alta tensão em Bento Ferreira. A dupla foi localizada depois que moradores enviaram vídeos às forças de segurança. Com os suspeitos foram encontradas ferramentas que, segundo a Polícia Civil, seriam utilizadas no furto.</p><p>A tendência geral, porém, é de redução. Segundo a Guarda Civil Municipal, Vitória registrou queda de 38% nesse tipo de crime entre 2024 e 2025. O resultado não eliminou o problema, mas reduziu uma modalidade de furto que afeta diretamente equipamentos públicos e também redes privadas.</p><p>O impacto econômico mais evidente está na necessidade de gastar novamente para manter uma infraestrutura já instalada. O último detalhamento financeiro divulgado pela Prefeitura de Vitória, em janeiro de 2024, apontava prejuízo médio mensal de cerca de R$ 15 mil com iluminação pública e R$ 10 mil com manutenção de semáforos relacionado aos furtos e ao vandalismo.</p><p>Na mesma ocasião, o município informou ter aplicado mais de R$ 500 mil em medidas preventivas, entre elas mudanças no cabeamento e outras intervenções destinadas a dificultar os crimes. Os números são uma referência de 2024 e não representam uma estimativa atualizada do prejuízo em 2026.</p><p>A retirada de fiação também produz custos que não aparecem diretamente nessa conta. Cabos furtados da rede semafórica podem deixar cruzamentos sem sinalização e exigir equipes de manutenção e agentes de trânsito. Quando a ocorrência envolve redes privadas de energia ou telecomunicações, pode haver interrupção do serviço. Não existe, porém, uma estimativa consolidada do prejuízo indireto causado às empresas de Vitória.</p><p>Uma das respostas adotadas pela capital foi retirar valor econômico do material procurado pelos criminosos. Desde março, Vitória substitui cabos convencionais de cobre da rede semafórica por modelos bimetálicos, formados por uma estrutura interna de aço revestida de cobre e sem valor comercial relevante para revenda.</p><p>A primeira área contemplada foi a Reta da Penha, escolhida após análise dos pontos com maior incidência de furtos. Equipamentos semafóricos de alumínio, outro material com mercado de revenda, também vêm sendo substituídos por peças de policarbonato.</p><p>A estratégia alcança ainda a outra ponta da cadeia. Em agosto, uma operação conjunta da Guarda Municipal e da Polícia Civil prendeu um comerciante investigado por receptação de materiais furtados em regiões como Enseada do Suá, Praia do Suá e Praia de Santa Helena. Entre os materiais identificados estavam 13 quilos de fios de cobre.</p><p>Fora da capital, ocorrências mostram que o prejuízo pode alcançar cifras maiores quando os alvos são empresas. Em fevereiro, o furto de cabos em uma empresa de mineração na Serra provocou prejuízo superior a R$ 300 mil, segundo a Polícia Civil. Mais de 15 metros de cabos cortados na ação foram avaliados em aproximadamente R$ 100 mil.</p><p>A legislação federal também endureceu o tratamento desse mercado clandestino. Desde julho de 2025, o furto de fios, cabos e equipamentos utilizados em redes de energia, telefonia ou transmissão de dados passou a ter pena de dois a oito anos de prisão, além de multa. Nos casos de receptação desses materiais, a pena prevista no Código Penal é aplicada em dobro.</p><p>A redução das ocorrências indica avanço no combate ao crime em Vitória. Do ponto de vista econômico, porém, o desafio permanece: cada novo furto pode transformar patrimônio já instalado em nova despesa de manutenção, além de comprometer temporariamente serviços essenciais da cidade.</p>