Fim da escala 6x1 pode gerar até R$ 4,5 bilhões em custos para empresas capixabas
Estudo da CNI projeta alta de até 6,9% nos gastos com mão de obra formal no Espírito Santo.
Por Redação ·
<p>O fim da escala 6x1, aprovado pelo Senado na quarta-feira (14), deve elevar entre R$ 3 bilhões e R$ 4,5 bilhões por ano os gastos das empresas do Espírito Santo com mão de obra formal. A conta é de um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), citado pela Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) em posicionamento divulgado nesta quinta-feira (15).</p><p>O valor representa uma alta de 4,6% a 6,9% sobre o que as empresas capixabas gastam hoje com seus empregados. A variação depende de como cada empresa vai repor as horas cortadas: pagando hora extra ou contratando mais gente. No país, a fatura pode chegar a quase R$ 270 bilhões, segundo a CNI.</p><p>A PEC 221/2019 passou no plenário do Senado em dois turnos, com o mesmo placar nos dois (75 votos a favor e 1 contra), e segue para promulgação. O texto garante dois dias de descanso remunerado por semana, um deles preferencialmente no domingo, sem corte de salário. Pela regra de transição, 60 dias após a promulgação as empresas terão de adotar a escala 5x2 e baixar a jornada máxima para 42 horas semanais (o teto final é de 40 horas). Acordos coletivos para regimes diferenciados, como a escala 12x36, ficam preservados.</p><p>"Entendemos que a discussão sobre o tema deveria ter partido de um princípio simples: melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores sem comprometer empregos, produtividade e competitividade", afirma Paulo Baraona, presidente da Findes.</p><p>A federação aponta que os efeitos podem chegar a investimentos, preços, produção e geração de empregos formais, e defende que uma mudança desse porte deveria ter sido precedida de uma avaliação de impacto sobre toda a economia.</p><p>A votação no Senado aconteceu a 11 dias do segundo turno da eleição, e a Findes fez questão de registrar a crítica. "Uma discussão tão relevante não deveria ser reduzida à busca por votos", afirma Baraona.</p><p>"Reafirmamos que não somos contrários ao debate sobre novas formas de organização do trabalho. Entendemos, porém, que uma mudança dessa dimensão exige diálogo, critérios técnicos e uma análise cuidadosa das consequências para trabalhadores, empresas e para a economia", completa.</p>