Fazendeiros capixabas trocam eucalipto por café

Área de florestas plantadas caiu 12,3% no ES, enquanto o conilon ganhou espaço; novos cafezais chegam ao mercado após a forte correção dos preços.

Por Redação ·

Fazendeiros capixabas trocam eucalipto por café

<p>Fazendeiros do Espírito Santo estão arrancando eucalipto para plantar café. Empresários do setor de celulose do Norte capixaba estimam que quatro em cada dez fazendas que deixam o eucalipto no estado viram cafezal.</p><p>A área de florestas plantadas no Espírito Santo caiu 12,3% em 2025, cerca de 32 mil hectares a menos, segundo o IBGE. Foi a terceira maior queda do país. No Brasil, essa área cresceu 4,8% no mesmo ano.</p><p>Já a área de café conilon em produção cresceu 11,2 mil hectares na safra 2026 e chegou a 269,4 mil hectares, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).</p><p>Os 11,2 mil hectares a mais de conilon superam a área da cidade de Vitória. Os 32 mil hectares a menos de eucalipto equivalem a mais de três Vitórias.</p><p>O Espírito Santo concentra quase sete de cada dez hectares de conilon em produção no Brasil. A Conab registra que a cultura avançou sobre terras antes ocupadas por pasto, eucalipto, cana-de-açúcar, seringueira e coco. A procura por mudas nos viveiros locais segue alta, e até quem nunca plantou café entrou na atividade.</p><p><strong>Os riscos para quem plantou café na alta</strong></p><p>A troca de outras culturas pelo café foi motivada pela alta histórica do conilon. Em abril de 2025, a saca valia cerca de R$ 1.800. Mas os preços reajustaram e em abril de 2026, a mesma saca valia entre R$ 800 e R$ 850, menos da metade. Ou seja, quem quis surfar a alta do conilon vai colher o grão num momento de preços mais modestos.</p><p>Existem quatro riscos para quem está começando a trocar outras culturas pelo café:</p><p>O primeiro risco é o preço. O robusta, nome internacional do conilon, teve média de US$ 3.701 por tonelada em agosto na bolsa de Londres, 11,5% abaixo de um ano antes, segundo a Conab. A companhia avalia que estoques baixos e consumo mundial recorde, de 179,7 milhões de sacas no ciclo 2026/27, devem evitar novas quedas fortes.</p><p>O segundo é o clima. A safra de conilon do Espírito Santo deve cair 14,3% em 2026, para 12,1 milhões de sacas, por causa do frio na época da florada, segundo a Conab. A produtividade caiu de 54,8 para 45 sacas por hectare. Para o próximo ciclo, a Conab ainda cita as previsões de El Niño.</p><p>O terceiro é a concorrência. A Conab vê alta procura por mudas de conilon também no sul da Bahia, onde a produtividade média é de 68,5 sacas por hectare. Em Minas Gerais, pecuaristas da divisa com o Espírito Santo estão migrando para o conilon. No mundo, a produção de robusta cresceu 39,8% em dez anos, segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos citados pela Conab.</p><p>Ou seja, quem está plantando conilon de olho nos preços de 2025 pode se frustrar. Foi o que aconteceu depois dos preços recordes de 2016/17, quando a saca chegou a R$ 412, segundo o Cepea. Com a recuperação das lavouras brasileiras e a safra recorde de 2019/20, a saca do conilon chegou a cerca de R$ 317 em 2019. Na época, muitos produtores venderam o café perto ou abaixo do custo de produção.</p>