Minerais críticos podem gerar 25 mil empregos no Espírito Santo até 2050
Estudo aponta R$ 192,1 bilhões no PIB e 750 mil vagas no país; ES tem 105 processos e nenhuma lavra.
Por Redação ·
<p>O Espírito Santo pode criar aproximadamente 25 mil ocupações até 2050 com a expansão da cadeia de minerais críticos e terras raras, cerca de 3,3% das 750 mil estimadas para o Brasil. No país, um estudo da Amcham Brasil calcula que a cadeia pode acrescentar R$ 192,1 bilhões ao PIB nos próximos 24 anos.</p><p>Das 750 mil ocupações projetadas, 446 mil dependem do adensamento da cadeia, ou seja, do processamento e da industrialização feitos aqui, e não da simples extração e exportação do minério. É cerca de 60% de todo o efeito estimado sobre o emprego.</p><p>Jaques Paes, executivo da indústria de mineração e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), avalia que é por esse caminho que o Estado entra no jogo. Segundo ele, o Espírito Santo tende a atrair não a mineração em si, mas as indústrias e empresas que produzem tecnologias que usam os minerais. A fábrica da Great Wall Motors (GWM) em Aracruz, no Norte capixaba, pode funcionar como âncora desse movimento.</p><p>Terras raras são um grupo de 17 elementos químicos: os 15 lantanídeos, mais o escândio e o ítrio. O nome engana. Eles não são escassos na crosta terrestre, mas raramente aparecem concentrados o bastante para justificar a extração, e separá-los uns dos outros exige um processo químico caro, intensivo em energia e com passivo ambiental relevante. É nessa etapa, e não na mina, que está o gargalo da cadeia.</p><p>O interesse comercial se concentra em quatro deles: neodímio, praseodímio, disprósio e térbio, usados na fabricação de ímãs permanentes. São esses ímãs que movem motores de carro elétrico, geradores de turbina eólica, drones, robôs industriais e sistemas de mísseis. Outras aplicações incluem catalisadores de refino, lasers, telas e componentes de semicondutores.</p><p>A China responde por cerca de 70% da produção mundial de terras raras e por algo próximo de 90% da capacidade global de separação e refino. <br>O Brasil aparece nessa corrida com um enorme estoque, não pela produção. As reservas nacionais são estimadas em 21 milhões de toneladas, cerca de 23% do total global e a segunda maior do mundo, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). A produção brasileira, porém, foi de 0,51% do total mundial em 2025, o que coloca o país na 9ª posição entre os produtores.</p><p>No Espírito Santo, a corrida começou pelos minerais. O Estado acumula 105 processos minerários ligados à pesquisa de terras raras, o quinto maior volume entre os estados brasileiros, segundo dados do Serviço Geológico do Brasil (SGB) e da ANM. Nenhum chegou à fase de lavra.</p><p>Dos 105, 81 têm autorização de pesquisa em vigor, 22 aguardam aprovação de requerimento na Agência Nacional de Mineração (ANM) e 2 são áreas sem titular ativo, classificadas como aptas para disponibilidade. As áreas somam 41,6 mil hectares e se concentram nas regiões Norte e Noroeste. Todas as iniciativas são de organizações privadas.</p><p>O Espírito Santo supera São Paulo (76 processos), mas está distante do topo. A Bahia registra 999 processos, seguida por Goiás (536), Minas Gerais (467) e Pernambuco (139).</p><p>O avanço capixaba é recente e rápido. Foram 58 novos registros em 2024, mais 28 em 2025 e 7 nos cinco primeiros meses de 2026. O pico de 2024 coincide com o ciclo de valorização geopolítica dos minerais críticos, empurrado pela disputa entre Estados Unidos e China pelo controle das cadeias de suprimento.</p>