Japoneses no Espírito Santo: país assegura crédito de R$ 1 bilhão para rodovias capixabas
Operação para infraestrutura rodoviária será a primeira da estatal Nexi com uma organização internacional.
Por Redação ·
<p>A Nippon Export and Investment Insurance (Nexi), agência de seguro de crédito controlada pelo governo japonês, assina nesta segunda-feira o contrato que cobre um empréstimo de US$ 200 milhões concedido pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) ao Espírito Santo. É a primeira vez que a Nexi oferece seguro de crédito a um organismo multilateral.</p><p>O recurso está destinado a projetos de infraestrutura, com foco em construção e manutenção de rodovias, e tem garantia da União. Na prática, o seguro protege o BID, não o Estado: as obrigações do Espírito Santo com o banco permanecem as mesmas. O que muda é o apetite do credor, que passa a operar com risco mitigado por uma agência soberana japonesa.</p><p>Para o leitor capixaba, o dado relevante é o que a operação diz sobre a posição do Estado no mercado de crédito externo. O Espírito Santo é nota A na Capacidade de Pagamento (Capag) da Secretaria do Tesouro Nacional pelo 15º ano consecutivo, e obteve pela terceira vez seguida a classificação A+ em gestão fiscal, criada em 2024 para entes que somam nota máxima nos três indicadores da Capag e no ranking de qualidade da informação contábil. É essa condição que sustenta o acesso a garantia da União e, por consequência, a operações com multilaterais.</p><p>O empréstimo do BID se soma a um pacote rodoviário já em execução. Em 2025 o BNDES aprovou uma operação de R$ 1,4 bilhão para o Estado, cujo Subcrédito A, de até R$ 890 milhões, foi contratado neste mês para implantação, pavimentação e reabilitação de vias. Antes disso, o Estado havia contratado R$ 630 milhões no âmbito do Proinfra e US$ 162,4 milhões junto ao Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (Bird) para manutenção de estradas resistentes a eventos climáticos extremos. A malha rodoviária estadual tem 6.513 quilômetros, dos quais 4.070 pavimentados.</p><p>O pano de fundo é a segurança econômica do Japão. Ampliar presença na região facilitaria o acesso de empresas japonesas a petróleo bruto e terras raras, num momento de recomposição de cadeias de suprimento. Apoiar infraestrutura no Espírito Santo é o caminho indireto: estradas melhores reduzem custo logístico para quem já opera ou pretende operar no Estado.</p><p>E o Japão já opera. A Companhia Nipo-Brasileira de Pelotização (Nibrasco), constituída em 1974 e sediada em Vitória, tem a Vale com 51% e um bloco japonês com 49%. Suas duas usinas no complexo de Tubarão estão arrendadas à Vale desde 2008, por 30 anos. Além disso, a consultoria de engenharia Nippon Koei atua em obras rodoviárias no Estado.</p><p>A entrada da Nexi nesse tipo de operação foi destravada pela revisão da lei japonesa de seguro comercial em 2022, que passou a permitir cobertura não apenas a instituições financeiras do país, mas também a organizações internacionais e governos estrangeiros. O contrato com o BID é o primeiro teste desse instrumento na América Latina.</p>