O Espírito Santo exporta rochas para o mundo. Mas o mundo ainda conhece pouco o Espírito Santo

Espírito Santo lidera as exportações brasileiras de rochas naturais, mas ainda enfrenta o desafio de transformar reconhecimento industrial em valor para sua marca no mercado global.

Por Fábio Cruz ·

O Espírito Santo exporta rochas para o mundo. Mas o mundo ainda conhece pouco o Espírito Santo

<p>Poucos setores representam tão bem a inserção internacional da economia capixaba quanto o de rochas naturais.</p><p>Em 2025, o Espírito Santo exportou cerca de US$ 1,2 bilhão em rochas para mais de 100 países. O setor responde por aproximadamente 10% do PIB estadual e transformou o estado em uma das principais referências mundiais em produção, beneficiamento e exportação de materiais naturais para a construção e a arquitetura.</p><p>Trata-se de uma história de sucesso construída ao longo de décadas. Mas toda história de sucesso carrega um novo desafio.</p><p>No caso das rochas naturais, talvez a pergunta mais importante para os próximos anos não seja quanto o Espírito Santo consegue exportar. Talvez seja quanto o Espírito Santo consegue capturar da riqueza gerada por aquilo que exporta.<br>A diferença parece sutil, mas não é.</p><p>Hoje, materiais produzidos no estado estão presentes em alguns dos projetos mais sofisticados do planeta. Estão em residências de alto padrão nos Estados Unidos, hotéis no Oriente Médio, empreendimentos corporativos na Europa e projetos arquitetônicos em diversos continentes.</p><p>No entanto, em muitos desses casos, o cliente final conhece o material, mas não conhece sua origem. Reconhece a pedra, mas não reconhece o território que a produziu. Valoriza o resultado final, mas não necessariamente identifica a cadeia empresarial, industrial e logística que tornou aquele projeto possível.</p><p>Isso ajuda a explicar por que parte relevante do valor gerado pelas rochas naturais continua sendo capturada fora do Espírito Santo.</p><p>O valor econômico de uma cadeia não é determinado apenas pela produção. Ele também é construído pela capacidade de influenciar decisões, gerar reconhecimento, desenvolver relacionamentos e ocupar espaços de referência dentro dos mercados que atende. É exatamente isso que diferencia os grandes polos econômicos globais.</p><p>Carrara, na Itália, é um exemplo interessante. Sua relevância não está apenas na qualidade do mármore que produz. Ao longo do tempo, a região construiu um ecossistema que conecta indústria, arquitetura, design, conhecimento, turismo e relacionamento internacional. O resultado é que o território passou a fazer parte do valor percebido pelo mercado.</p><p>Quando alguém fala em Carrara, não está falando apenas de uma pedra. Está falando de uma origem. Talvez essa seja uma reflexão importante para o Espírito Santo.</p><p>Nos últimos anos, aprendemos a desenvolver jazidas, investir em tecnologia, ampliar a industrialização e competir internacionalmente. Construímos uma cadeia produtiva robusta e eficiente. Essa base continuará sendo fundamental para o futuro. Mas o próximo ciclo pode exigir algo além.</p><p>Pode exigir que o estado participe de forma mais ativa das etapas em que valor, reputação e preferência são construídos.</p><p>Isso passa por aproximar o setor de arquitetos, designers, especificadores, universidades, centros de conhecimento e formadores de opinião.</p><p>Passa por transformar a geodiversidade em um ativo reconhecido internacionalmente. Passa por fortalecer a conexão entre os materiais produzidos aqui e a identidade econômica do território.</p><p>Mais do que uma agenda empresarial, trata-se de uma agenda de desenvolvimento. Quanto maior a capacidade de o Espírito Santo transformar produção em reconhecimento, maior tende a ser sua capacidade de atrair investimentos, desenvolver serviços especializados, gerar turismo de negócios, estimular inovação e ampliar a riqueza produzida pela própria cadeia.</p><p>O setor de rochas naturais já ajudou a projetar o Espírito Santo para o mundo. Talvez o próximo passo seja fazer com que o mundo reconheça melhor aquilo que o Espírito Santo já representa.</p>