Findes: ES mira R$ 4,8 bilhões para criar nova cadeia industrial de desmontagem de plataforma
Com 26 projetos aprovados pela ANP, Estado quer atrair serviços de desmontagem, logística e reciclagem de plataformas.
Por Redação ·
<p>O Espírito Santo quer transformar os R$ 4,8 bilhões em investimentos previstos para 26 projetos de descomissionamento de plataformas de petróleo e gás em uma nova frente de negócios para a indústria capixaba. A estratégia é estruturar fornecedores e infraestrutura para que empresas do Estado possam participar de uma cadeia que envolve abandono de poços, retirada de equipamentos, logística, desmontagem, reciclagem e serviços ambientais.</p><p>O movimento é liderado pela Findes, que vê no envelhecimento dos campos de petróleo uma oportunidade para criar uma nova atividade industrial. Segundo a entidade, os 26 projetos já aprovados pela ANP representam cerca de R$ 4,8 bilhões em investimentos previstos no Espírito Santo.</p><p>A dimensão do mercado brasileiro ajuda a explicar a aposta. No plano de negócios 2026-2030, a Petrobras prevê a remoção de 18 plataformas, com US$ 9,7 bilhões destinados ao abandono de poços e à retirada de equipamentos. Para 2031 em diante, estão previstas outras 50 plataformas.</p><p>Para o Espírito Santo, a disputa está em capturar uma parcela dessa demanda com empresas locais. A cadeia não se limita à desmontagem das plataformas. Inclui engenharia, operações portuárias, transporte, serviços metalmecânicos, gerenciamento de resíduos, reciclagem, recuperação ambiental e qualificação profissional.</p><p><strong>Indústria já tem fornecedores para disputar a cadeia</strong></p><p>A tese da Findes parte de uma estrutura industrial que já atende o setor de petróleo e gás. O objetivo agora é adaptar empresas e profissionais para uma etapa diferente do ciclo produtivo.</p><p>A ANP define o descomissionamento como um conjunto de atividades que inclui a interrupção definitiva da operação das instalações, o abandono e arrasamento de poços, a remoção das estruturas, a destinação de materiais e resíduos, a recuperação ambiental e medidas de segurança da navegação.</p><p>Isso amplia o número de setores que podem participar dos contratos. Empresas de engenharia, logística, metalmecânica, serviços industriais, gestão ambiental e reciclagem podem atuar em diferentes etapas.</p><p>A própria ANP afirma que o desenvolvimento da cadeia de fornecimento de serviços de descomissionamento depende também da atuação dos governos estaduais na criação de condições para esse mercado.</p><p><strong>ES busca experiência no Mar do Norte</strong></p><p>A preparação da indústria capixaba também ganhou uma frente internacional.</p><p>Em dezembro de 2025, a Findes assinou um Memorando de Entendimento com a Decom Mission, organização britânica dedicada ao descomissionamento e às operações de fim de vida no setor de energia. A parceria busca aproximar empresas capixabas e britânicas e trazer para o Brasil conhecimento acumulado no mercado internacional.</p><p>A aproximação começou antes do acordo. Em novembro de 2025, uma missão empresarial liderada pela Findes esteve na Escócia e na Noruega para conhecer empresas e soluções do setor e apresentar oportunidades de negócios relacionadas ao descomissionamento no Espírito Santo.</p><p>Em março de 2026, a Federação realizou em Vitória o Fórum Internacional de Descomissionamento, com participação de empresários europeus e uma rodada de negócios destinada a aproximar fornecedores capixabas de empresas que atuam no segmento.</p><p>O movimento chegou também à ROG.e 2026. O espaço do Espírito Santo no evento recebeu programação dedicada ao tema e incluiu o lançamento do Portal de Descomissionamento, voltado à conexão entre empresas brasileiras e britânicas.</p><p>Qualificação entra na estratégia</p><p>A preparação da mão de obra passou a fazer parte da agenda. Em setembro, o IEL-ES lançou um curso sobre Offshore Decommissioning: Brasil e Mar do Norte, com programação internacional voltada ao novo segmento.</p><p>A capacitação responde a um dos gargalos apontados pela própria ANP para o desenvolvimento do descomissionamento no país: a necessidade de ampliar a capacitação técnica e desenvolver uma cadeia de serviços específica para essa atividade.</p><p><strong>A janela de oportunidade</strong></p><p>A Findes projeta que a produção dos campos capixabas começará a entrar em declínio natural a partir de 2028, depois de um período de crescimento da produção. A entidade relaciona esse movimento ao amadurecimento dos campos e ao aumento da demanda por descomissionamento.</p><p>O Estado também chega a essa nova etapa com uma base relevante na indústria de petróleo e gás. Segundo a Findes, o setor reúne 652 empresas na cadeia produtiva e 17,2 mil empregos formais, enquanto os investimentos esperados em petróleo e gás no Espírito Santo até 2031 chegam a R$ 38,4 bilhões.</p><p>É essa estrutura que a Federação pretende aproveitar para desenvolver uma cadeia local de descomissionamento.</p><p>A oportunidade, porém, ainda está em fase de estruturação. Os R$ 4,8 bilhões não significam que esse valor já esteja contratado por empresas capixabas. Eles correspondem aos investimentos previstos nos 26 projetos aprovados pela ANP, e a captura dessa demanda dependerá da capacidade das empresas locais de atender às exigências técnicas, regulatórias e comerciais do mercado.</p><p>Para o Espírito Santo, o desafio é transformar uma etapa inevitável do ciclo do petróleo em atividade econômica dentro do próprio Estado. A aposta da indústria é fazer com que, quando as plataformas começarem a sair de operação, uma parcela maior dos serviços necessários para retirá-las também seja realizada em território capixaba.</p>