Data center de R$ 7,4 bi em Baixo Guandu foi projetado para reduzir impacto ambiental
Projeto de 100 MW prevê baixo consumo de água, uso de energia disponível e geração de empregos técnicos no Noroeste capixaba.
Por João Flávio Figueiredo ·
<p>Um grupo de investidores privados está desenvolvendo em Baixo Guandu, no Noroeste do Espírito Santo, um data center de R$ 7,4 bilhões que foi desenhado para reduzir impactos em dois pontos sensíveis para esse tipo de empreendimento: eletricidade e água. Além disso, o empreendimento vai gerar empregos qualificados para profissionais como engenheiros e especialistas em tecnologia e manutenção.<br><br>A primeira fase terá 100 megawatts (MW) de capacidade e ficará em área rural e industrial, a cerca de 9 quilômetros da cidade, ao lado de uma usina hidrelétrica. O investimento equivale a quase oito vezes o PIB do município, que foi de R$ 928 milhões em 2021.<br><br>“Você gera cerca de 300 a 400 empregos diretos e indiretos no período de obra. Agora, tocando uma estrutura de 100 MW, de forma direta, você gera algo na casa de 25 a 40 empregos altamente qualificados. E de forma indireta, com serviços auxiliares, são mais 25 a 40”, disse Mário Rodrigues, um dos idealizadores do data center e fundador da startup capixaba Frete Rápido.<br><br>Os empregos fixos do data center são técnicos. Segundo Rodrigues, as vagas serão para “engenheiro de dados, engenheiro elétrico, engenheiro de manutenção”.<br><br>O projeto também prevê formar mão de obra na região e atrair fornecedores. “É uma mão de obra que a gente também vai buscar qualificar. E é toda uma cadeia: manutenção de máquina e equipamento, prestação de serviço. Uma cadeia tecnológica avançada que você abre em volta”, afirmou.<br><br><strong>Projeto terá baixo impacto ambiental e energético</strong><br><br>A estrutura vai usar energia já disponível na região, sem necessidade de nova infraestrutura de geração, e consumir por mês a mesma quantidade de água que três casas com quatro moradores.<br><br>O empreendimento não depende da construção de uma nova usina. A hidrelétrica vizinha tem cerca de 100 MW de geração sem contrato de venda, volume que definiu o tamanho da primeira fase.<br><br>A conexão também já existe. A subestação da usina fica a 180 metros da cerca do terreno, e três linhas de transmissão de alta tensão ligadas ao Sistema Interligado Nacional (SIN) atravessam a propriedade. A fibra óptica que liga Belo Horizonte ao cabo submarino em Vitória, instalada ao longo da Estrada de Ferro Vitória a Minas, passa pela área.<br><br>O modelo é diferente do adotado no maior projeto do país. No Pecém, no Ceará, o data center da ByteDance, dona do TikTok, usará energia de parques eólicos construídos especialmente para abastecê-lo.<br><br>Para resfriar os servidores, o data center de Baixo Guandu usará um sistema de circuito fechado. A água captada no Rio Doce é filtrada, armazenada e circula continuamente pelo sistema. Novas captações servem apenas para repor a pequena perda diária.<br><br>“Para 100 MW de capacidade computacional, a expectativa é que ele consuma por mês o equivalente a três casas com quatro moradores. É irrisório o consumo de água”, disse Rodrigues.<br><br>O projeto está na fase de desenvolvimento. Os investidores farão rodadas de apresentação em São Paulo, Nova York e Xangai para atrair big techs como inquilinas. Se a demanda contratada passar de 100 MW, a expansão será incluída já na primeira etapa de obras.<br><br>“Você começa a mudar a matriz econômica do estado. Você traz uma indústria de alta tecnologia para dentro do Espírito Santo”, disse Rodrigues.<br></p>