ES mantém ritmo do crédito rural enquanto o país perde um quarto do volume
Estado praticamente manteve o volume de contratações e ampliou sua participação no crédito rural brasileiro.
Por Redação ·
<p>Os produtores rurais do Espírito Santo contrataram R$ 3,05 bilhões em crédito rural entre julho e setembro, o primeiro trimestre do Plano Safra 2026/27. O valor ficou só 1,5% abaixo do registrado um ano antes. No Brasil, a queda foi bem maior: 23,6%, de R$ 113,5 bilhões para R$ 86,8 bilhões, segundo o Banco Central. Com isso, a participação do Espírito Santo no crédito rural contratado no país subiu de 2,7% para 3,5%.</p><p>O recuo nacional tem algumas explicações. O Plano Safra reservou R$ 525,1 bilhões para médios e grandes produtores, mas parte dos bancos fechou a torneira. O motivo é a inadimplência, que chegou a 8,8% em julho no crédito rural a pessoas físicas, o maior nível desde 2011.</p><p>Pelas contas da consultoria Agroicone, a inadimplência efetiva no crédito rural passou de R$ 3,8 bilhões, em julho de 2023, para R$ 38,4 bilhões em abril de 2026. Em menos de três anos, multiplicou-se por dez. Os bancos reagiram cortando limites e exigindo mais garantias, inclusive de quem está em dia.</p><p>O Banco do Brasil, principal financiador do agro no país, liderou o recuo. Nos primeiros 112 dias da safra, liberou R$ 31,6 bilhões, 44% menos que um ano antes. Para grandes produtores, a queda chegou a 55%.</p><p>Uma característica do mercado capixaba ajuda a explicar a diferença: o peso das cooperativas de crédito. Entre julho e dezembro de 2025, Sicoob ES, Sicredi e Cresol responderam juntos por mais da metade do crédito rural aplicado no estado, segundo a Seag.</p><p>O Sicoob ES fechou a safra 2025/26 com R$ 4,49 bilhões liberados em 16.220 operações e calcula ter respondido por 34% do crédito ao agro no estado. Há 14 anos é a maior repassadora do Funcafé no ES e, há cinco, do BNDES Rural. Para 2026/27, projeta mais de R$ 4,7 bilhões.</p><p>O Sicredi, terceiro no ranking estadual, liberou R$ 1,08 bilhão em 2025/26, alta de 27,3%, em 7 mil contratos.</p><p>A meta do Plano de Crédito Rural estadual é de R$ 10 bilhões no ciclo. Depois do primeiro trimestre, faltam R$ 6,95 bilhões até junho de 2027.</p>