Capixaba cria primeira marca de chá espumante do Brasil – e já vendeu 6 mil garrafas

Criada por Gabriela Lacerda, a Shantori produziu 8 mil garrafas em seis lotes e já está presente em cerca de 30 restaurantes de alta gastronomia.

Por João Flávio Figueiredo ·

Capixaba cria primeira marca de chá espumante do Brasil – e já vendeu 6 mil garrafas

<p>Em seis meses, a Shantori comercializou 6 mil garrafas de sparkling tea, ou chá espumante, uma bebida de alta gastronomia que não existia no Brasil até este ano. A marca capixaba entrou em um mercado com menos de 15 anos de história no mundo e já se expandiu por restaurantes de alta gastronomia e canais de venda direta.</p><p>O sparkling tea nasceu em 2010, quando o sommelier Jacob Kocemba, trabalhando em um restaurante com estrela Michelin em Copenhague, criou um espumante à base de chás finos na falta de vinho adequado para harmonizar uma sobremesa. A categoria permanece rara: hoje há apenas um punhado de marcas em todo o mundo. No Brasil, até agora, apenas a capixaba.</p><p>Gabriela Lacerda, fundadora da Shantori, viu aí uma lacuna precisa na alta gastronomia. Em estabelecimentos de qualidade, quem não consome álcool recebe água ou suco, enquanto os demais ganham uma bebida pensada por um sommelier. "O sparkling tea resolve isso sem ser água com gás ou suco com açúcar agregado. É bebida com complexidade sensorial, terroir e propósito de maridagem", explica Lacerda.</p><p>A decisão de lançar veio de uma paixão antiga por chás. Lacerda nunca bebeu café, e sua avó lhe oferecia chá a cada visita. O hobby evoluiu para pesquisa e, posteriormente, para negócio. Mas, antes de comercializar qualquer coisa, ela se submeteu a dois anos de testes de fórmula e obteve certificação da UK Tea Academy como especialista em chás de origem.</p><p>A Shantori entrou no mercado com dois produtos iniciais. Em janeiro, lançou o In honor of Antonia, um Sparkling Pai Mu Tan, chá branco chinês com notas florais e laranja. Em agosto, veio o In honor of Hilária, um Sparkling Darjeeling com notas de café orgânico e biodinâmico da fazenda Camocim, em Pedra Azul. Os nomes homenageiam mulheres da família de Lacerda.</p><p>A produção total chegou a 8 mil garrafas em seis lotes. Desse volume, 6 mil já foram comercializadas. O canal e-commerce responde pela venda direta ao consumidor; o modelo B2B, porém, cresceu mais rápido. A Shantori está distribuída em cerca de 30 restaurantes de alta gastronomia, inclusive estrelados do Guia Michelin, entre eles Dom, Nelita, Kuro e Kanoe, além de casas de coquetelaria como The Punch.</p><p>Para produção, Lacerda optou por parceria com produtores especializados em vez de investir em fábrica própria. O modelo reduz capital fixo e mantém o foco na curadoria de chás, no desenvolvimento do método de carbonatação e no controle de qualidade. Essa estratégia enxuta é comum em marcas de luxo nascentes que apostam em escalabilidade sem o peso de bancar o operacional.</p><p>A tração do produto em restaurantes indica que o mercado reconhece a categoria e a posiciona como bebida de experiência, e não como substituto do vinho. "Harmonizadores premium para não bebedores de álcool eram inexistentes no Brasil. Estamos construindo essa categoria", afirma Lacerda. A próxima etapa inclui expansão de canais e desenvolvimento de novos produtos. A arquitetura da marca prevê uma linha de homenagens a mulheres brasileiras, cada uma com um chá de origem diferente.</p>