Exportação de café solúvel aos EUA cresce 9,5%; Linhares concentra produção industrial
Embarques chegaram a 57,2 mil sacas em julho, mas ainda acumulam queda de 17,3% no ano; Espírito Santo reúne produção de conilon e fábricas voltadas ao mercado de solúvel.
Por Redação ·
<p>As exportações brasileiras de café solúvel para os Estados Unidos cresceram 9,5% em julho de 2026, na comparação com o mesmo mês do ano passado, e chegaram a 57.168 sacas de 60 quilos, ante 52.212 sacas em julho de 2025. Para o Espírito Santo, o movimento interessa por combinar duas pontas da cadeia: produção de conilon e processamento industrial do café.</p><p>A alta mensal, porém, ainda não caracteriza uma recuperação consolidada. Entre janeiro e julho, o Brasil exportou 365.966 sacas de café solúvel aos Estados Unidos, queda de 17,3% frente às 442.381 sacas registradas no mesmo período de 2025.</p><p>Parte da retração ocorreu em meio às barreiras comerciais impostas pelo mercado americano. Em julho, o café solúvel brasileiro foi incluído entre os produtos excluídos da nova sobretaxa de 25% proposta pelos Estados Unidos. A retirada da cobrança melhora as condições de acesso ao mercado, embora a questão tarifária ainda não esteja totalmente encerrada: outra investigação conduzida pelo USTR pode resultar em uma tarifa adicional de aproximadamente 12,5%.</p><p>Os Estados Unidos continuam sendo o maior destino dos cafés brasileiros considerando todos os tipos do produto. Nos sete primeiros meses de 2026, o país comprou 2,590 milhões de sacas, equivalentes a 12,4% das exportações brasileiras, ainda com queda de 30,5% na comparação anual.</p><p>É nesse mercado que o Espírito Santo ampliou sua exposição industrial nos últimos anos. A ofi inaugurou em 2025 uma fábrica de café solúvel em Linhares, com 53 mil metros quadrados e cerca de 300 empregos permanentes. A empresa afirma que a disponibilidade de conilon na região foi um dos fatores para a escolha do município.</p><p>Também em Linhares, a Cacique mantém uma planta que entrou em operação em 2021 e produz, em média, 12 mil toneladas de café solúvel por ano.</p><p>A base agrícola dá escala a essa indústria. No segundo levantamento da safra 2026, a Conab estimou que o Espírito Santo deverá colher 13,6 milhões de sacas de conilon, diante de uma produção brasileira projetada em 20,9 milhões de sacas. A safra total de café no Estado, incluindo arábica, está estimada em 18 milhões de sacas.</p><p>O café também ocupa posição central no comércio exterior capixaba. Em 2025, as exportações estaduais de café e derivados somaram US$ 1,788 bilhão e chegaram a 92 países. Estados Unidos e Indonésia aparecem entre os mercados de destaque para o café solúvel exportado pelo Espírito Santo.</p><p>Para a cadeia capixaba, portanto, julho trouxe um sinal mensal positivo em um mercado relevante para a indústria instalada no Estado. A queda acumulada de 17,3% nas vendas de solúvel aos Estados Unidos, contudo, mostra que ainda é cedo para falar em retomada. O comportamento das exportações nos próximos meses e os desdobramentos da política tarifária americana serão determinantes para medir a intensidade dessa recuperação.</p>