30 mil toneladas: isenção nos EUA abre espaço para café solúvel do ES

Fábricas capixabas têm capacidade disponível para ampliar a produção sem novos investimentos industriais.

Por Redação ·

30 mil toneladas: isenção nos EUA abre espaço para café solúvel do ES

<p>O Espírito Santo pode exportar mais café solúvel sem abrir uma fábrica nova. As três indústrias do estado produzem menos do que conseguiriam, segundo o Sindicato dos Corretores de Café do Espírito Santo (SCCES). Desde 22 de julho, os Estados Unidos, maior mercado consumidor de café do mundo, não cobram mais a tarifa de 25% sobre o produto.</p><p>O mercado americano já respondeu. As exportações brasileiras de solúvel para os EUA saltaram 86,8% em agosto, em comparação com o mesmo mês do ano anterior, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics).</p><p>As três fábricas capixabas estão entre as principais do país: Realcafé, Cacique (com planta em Linhares) e Ofi, antiga Olam. Juntas, têm capacidade instalada de 30 mil toneladas por ano e, segundo o SCCES, produzem menos do que isso.</p><p>O estado exportou US$ 93,2 milhões em solúvel no 1º semestre, segundo dados da Secretaria de Estado da Agricultura (Seag) para os primeiros seis meses do ano. Com as fábricas produzindo mais, esse valor pode crescer reduzindo a ociosidade.</p><p>Marcus Magalhães, presidente do SCCES, disse que a isenção faz a indústria capixaba "ganhar segurança para estruturar uma ofensiva comercial" nos Estados Unidos.</p><p>O ES aumenta a produção num momento em que o país já vende mais solúvel. Os números da Abics de janeiro a agosto mostram o seguinte cenário:</p><p>Total exportado pelo Brasil: 65,3 mil toneladas, alta de 12,8% sobre o mesmo período de 2025</p><p>União Europeia: o destino que mais cresceu, com 13,1 mil toneladas (alta de 44,2%)</p><p>Estados Unidos: retomada depois da isenção, com alta de 86,8% só em agosto.</p><p>O conilon (base do solúvel) também ajuda. A Conab estima a safra nacional de 2026 praticamente igual à de 2025, que foi recorde, na casa de 20,9 milhões de sacas.</p><p>Dentro do Espírito Santo, a situação varia. Produtores capixabas relataram perdas de até 40% na colheita deste ano, mesmo com clima favorável. Por isso, parte do grão que abastece as fábricas pode estar vindo de lavouras de outros estados.</p><p>Do lado dos impostos, o custo vai subir com o fim do crédito presumido de PIS/Cofins – um abatimento calculado sobre o valor do café verde comprado pelas fábricas. Ele caiu de 7,4% para 6,66% em 2026 e deixa de existir em 1º de janeiro de 2027.</p><p>Lima reconheceu que o fim do crédito "representará um aumento na estrutura de custos da indústria brasileira" a partir do ano que vem. Até dezembro, as fábricas capixabas que aumentarem as vendas aos EUA ainda contam com o crédito e com o conilon no menor preço em mais de dois anos.</p>