Café e carne escapam do tarifaço de Trump, mas setor de rochas do Espírito Santo segue sob ameaça

Nova lista de tarifas dos Estados Unidos preserva produtos importantes do agronegócio brasileiro, mas mantém pressão sobre a indústria de rochas naturais, um dos setores mais estratégicos da economia do estado

Por Redação ·

Café e carne escapam do tarifaço de Trump, mas setor de rochas do Espírito Santo segue sob ameaça

<p>A nova rodada de tarifas anunciada pelos Estados Unidos trouxe alívio para parte da economia brasileira, mas deixou um alerta importante para o Espírito Santo. Enquanto produtos como café e carne bovina ficaram de fora da sobretaxa de 25%, a indústria de rochas naturais continua entre os segmentos potencialmente afetados pelas medidas comerciais defendidas pelo governo americano.</p><p>A exclusão do café tem peso relevante para os capixabas. O Espírito Santo é o maior produtor nacional de café conilon e tem no mercado externo um dos principais motores de crescimento do agronegócio. Caso o produto fosse incluído no tarifaço, produtores, cooperativas e exportadores poderiam perder competitividade em um dos mercados mais importantes para o café brasileiro.</p><p>O cenário é diferente para as rochas ornamentais. Granitos, mármores, quartzitos, ardósias e outros produtos do setor permanecem entre os itens que podem ser atingidos pela tarifa adicional. Segundo estimativas do Centrorochas, cerca de 45% do faturamento das exportações brasileiras de rochas naturais está potencialmente exposto aos efeitos da medida.</p><p>A preocupação é ainda maior porque os Estados Unidos são o principal destino das rochas brasileiras. Em 2025, o Brasil exportou aproximadamente US$ 1,2 bilhão em blocos e chapas de rochas naturais, sendo que cerca de metade desse volume teve como destino o mercado americano. Na prática, isso significa que aproximadamente US$ 600 milhões em exportações podem ser impactados por mudanças tarifárias.</p><p>O efeito sobre o Espírito Santo tende a ser desproporcional. O Estado concentra cerca de 80% do parque industrial de beneficiamento de rochas ornamentais do Brasil, reunindo centenas de empresas, milhares de empregos e uma das cadeias exportadoras mais internacionalizadas da economia capixaba. Municípios como Cachoeiro de Itapemirim, Serra, Viana e Barra de São Francisco estão entre os principais polos ligados à atividade.</p><p>Por isso, apesar do alívio trazido ao agronegócio, o setor produtivo capixaba segue acompanhando com cautela os desdobramentos das negociações entre Brasil e Estados Unidos. O resultado final poderá definir não apenas a competitividade das exportações brasileiras, mas também o desempenho de uma das indústrias mais importantes para a geração de renda, empregos e divisas no Espírito Santo.</p>